PADRE CULPA AS MULHERES POR CISMA NA ICAR

março 15, 2011 § Deixe um comentário

ADITAL, 03-03-2011

IGREJA E MULHER: UM DIÁLOGO POSSÍVEL?

Eduardo Hoonaert
Padre casado, belga, com mais de 5O anos de Brasil, historiador e teólogo, mais
de 20 livros publicados. Mora em Salvador. Dedica-se agora ao estudo das origens
do cristianismo

1. Uma longa história

Desde os inícios, o cristianismo histórico tem tido dificuldades em compreender
o comportamento de Jesus para com as mulheres. Diversos trechos dos evangelhos
demonstram admiração, mas ao mesmo tempo deixam transparecer estranheza. Os
próprios apóstolos não entendem o modo como Jesus aborda as mulheres. Pedro, um
de seus mais próximos companheiros, não tolera que uma mulher seja considerada
apóstola em pé de igualdade com os homens, como se pode ler no evangelho
apócrifo de Maria Madalena . Por causa dessa e de outras dificuldades, o
cristianismo histórico guarda uma memória precária e até deformada acerca do
comportamento de Jesus diante das mulheres. Maria Madalena, a mais proeminente
figura feminina do novo testamento, é sistematicamente maltratada nos sermões da
igreja, até ser rebaixada à condição de prostituta e de pecadora arrependida.
Essa criminalização simboliza na realidade o rebaixamento da figura da mulher em
geral, na tradição cristã. Mas não é só a cultura cristã que desconsidera a
mulher. A maioria das culturas é igualmente preconceituosa nesse ponto e ficaria
igualmente escandalizada com Jesus, que apreciava o perfume e o afeto de uma
mulher e que insistia em que a memória da ternura de uma mulher fosse preservada
`por onde quer que o evangelho fosse proclamado’ (Mt 26, 12). Essa memória
sempre encontrou resistência no seio do cristianismo histórico, como
provavelmente encontraria na maioria das culturas.

2. Emerge uma nova consciência feminina

Após séculos de silêncio e submissão, a mulher do século XX finalmente dá sinais
de rompimento com o passado. No âmbito católico, é na década de 1940 que
aparecem os primeiros indícios discretos de que algo está mudando no universo
feminino: as mães não mandam mais seus filhos à missa dominical com a fidelidade
de antes. Isso repercute imediatamente na igreja, mas quase ninguém percebe o
que está acontecendo. Quando, em 1943, o padre Henri Godin, em seu livro
‘França, país de missão?’, constata com amargura que a França não é mais o
país católico de antes, ele não suspeita que a mulher tenha a ver com essa
`descristianização’. O mesmo acontece com o sociólogo Gabriel Le Bras, que
atribui o declínio na assistência à missa ao estilo de vida na grande cidade, à
perda de fé e à secularização. Mas não fala da mulher. E quando, nos anos 1960,
se constata um rápido declínio de vocações para o sacerdócio, também não se
enxerga nisso a mutação na relação do vocacionado com sua mãe. Os primeiros
estudos que apontam nessa direção são dos anos 1990 . É no silêncio do universo
feminino que se opera a desconstrução da igreja.

Mas no início dos anos 1960, no momento em que o papa João XXIII pensa em
convocar um concílio, a `desobediência’ feminina de repente ganha notoriedade: a
pílula anticoncepcional oral entra em cena e seu sucesso é imediato. A mulher
verifica que os ritmos das energias procriativas de seu corpo, se não forem
controlados, dificultam a qualidade de vida a que ela e sua família aspiram. Os
ciclos sempre repetidos da gravidez, do nascimento da criança, dos longos tempos
dedicados ao recém-nascido, dos trabalhos na casa, da preparação dos alimentos,
dos cuidados como o marido não deixam espaço para que ela se desenvolva
plenamente, em contraste com o que acontece ao homem que, depois do ato sexual,
fica `liberado’. Permitida nos Estados Unidos em 1960, a pílula conquista o
mundo em poucos anos. O sucesso já dura 50 anos. Hoje, no mundo inteiro, cem
milhões de mulheres recorrem à pílula ou a outros métodos contraceptivos
(camisinha, dispositivo intra-uterino, diafragma, diversos produtos
espermicidas). A Organização das Nações Unidas (ONU) aprova oficialmente o
planejamento familiar e declara que ele colabora com a saúde e o bem-estar da
mulher, dos filhos e da família (conferência do Cairo, 1994). Estamos diante da
emergência de um pensamento autônomo, em contraste com o pensamento heterônomo
até então vigente. Elabora-se uma nova arquitetura do estado com a finalidade de
promover saúde, educação, bem-estar das famílias, assim como atendimento
médico-hospitalar baseado na idéia da regulamentação dos nascimentos. `Eis uma
revolução de dimensões planetárias’, realça Rose Marie Muraro . A idéia do
planejamento familiar é uma idéia genuinamente feminina que põe em movimento a
maior revolução do século XX, uma revolução silenciosa que se processa na
intimidade das residências privadas, no diálogo íntimo entre homem e mulher,
longe dos púlpitos clericais, das cátedras doutorais e dos foros públicos. Ao
controlar a fertilidade, a pílula faz com que a mulher possa entrar no mercado
de trabalho ao lado do homem. Doravante, seu corpo não pertence mais à
fatalidade dos ciclos da procriação e se liberta aos poucos da vontade do homem.
A pílula inaugura um tempo novo, não só para a mulher, mas para a sociedade como
um todo. As relações de gênero e trabalho se transformam em profundidade.
Entusiasmada, Rose Marie Muraro opina que com a pílula `o mundo se torna melhor.
Quando dominado pelo homem, o mundo é hierarquizado. Mas ele se estabelece em
rede quando a mulher entra em cena’.

Uma vez que na mesma época se inicia o concílio Vaticano II, vale a pena se
perguntar se há interação entre ambas as iniciativas. O movimento em prol da
libertação do corpo feminino tem algo a ver com o `aggiornamento’ do papa João
XXIII? Será que os bispos reunidos em Roma tomam conhecimento do que está
acontecendo no universo feminino e procuram entrar em diálogo com as mulheres?

3. Porque o Vaticano II desconhece a mulher?

Sabemos que mulheres não são convidadas a falar em concílios ecumênicos. Mas
elas interferem, isso sim, nos destinos dos concílios. Enquanto os bispos do
Vaticano II tentam compreender as razões da `descristianização’, elas atuam na
base, desatando laços seculares e desse modo esvaziando as igrejas. Enquanto os
teólogos falam em secularização, ateísmo, consumismo, individualismo ou
hedonismo, elas introduzem comportamentos autônomos no seio do velho mundo,
marcado por séculos de heteronomia. Decerto, o papa João XXIII sabia que as
igrejas estavam ficando vazias em Paris, onde ele foi núncio. Seu diagnóstico de
que havia desencontro entre igreja e mundo moderno estava certo. O que lhe
faltava era ir ao âmago da questão. Desse modo, o Vaticano II certamente fez um
bom trabalho, como realça José Oscar Beozzo, mas não conseguiu identificar com
clareza a ideologia heterônoma que caracteriza a igreja.

É de se compreender a razão. O universo imaginário da igreja cristã provém em
última análise da bíblia, elaborada num mundo dominado por estruturas
heterônomas. O rei (o imperador) manda no povo, o senhor manda no escravo
(trabalhador), o homem manda na mulher, o pai manda nos filhos e Deus manda em
todos (e todas). A vida toda é concebida em termos de heteronomia: há sempre um
`outro’ que manda. A vida humana está sempre em mãos alheias. A heteronomia
constitui o mais antigo e durável modelo de convivência humana, que caracteriza
regimes políticos, econômicos, sociais, culturais e psicológicos. Na bíblia,
Deus aparece como um ser todo-poderoso, santíssimo, sentado no trono celeste.
Ele criou o universo em poucos dias e até hoje governa sua criação da mesma
forma que um rei persa controla seus imensos territórios, guarda tudo que
acontece numa memória infinita (melhor que a memória do computador mais potente)
e julga tudo como o mais justo dos juizes. Ele premia o bem e castiga o mal, às
vezes aqui na terra, mas certamente após a morte, na vida eterna. Deus por vezes
aparece como senhor rigoroso e justo, outras vezes como pai amoroso que perdoa
tudo. Mas sempre fica fora do mundo em que vivemos. Nos dois primeiros versos da
bíblia aparece uma imagem nitidamente heterônoma de Deus: de um lado a luz, o
sopro, a vida, do outro lado o vazio, a solidão, a escuridão e a morte:

Primeiras palavras:
Deus cria o céu e a terra,
Terra vazia, solidão,
Escuro em cima do abismo
Sopro de Deus
Movimentos sob as águas (Gn 1, 1-2).

Admitamos que os estudiosos da bíblia procuram desprender-se da imagem de Deus
como a que aparece no texto citado do livro Gênesis. No entanto, a idéia
heterônoma está tão enraizada no subconsciente das pessoas e da instituição que
só em raros casos ela chega à consciência. Mas a história avança. Decisiva foi,
no plano político, a passagem para regimes democráticos e autônomos que se
processou nos últimos 200 anos. Mas foi no plano científico que a idéia da
autonomia fez seus maiores progressos. Cada vez mais, os cientistas descobrem
que o mundo é auto-regulamentado, baseado em leis marcadas por uma lógica
interna. Não há mais necessidade de milagres `fora das leis naturais’, pois a
cada momento o milagre está aí, diante dos olhos e dentro do corpo. Outro avanço
é a `reviravolta lingüística’ que hoje dinamiza uma nova maneira de se falar em
Deus e nas coisas divinas.

4. A mulher e o bispo

A estas alturas é bom averiguar o que é realmente novo no comportamento da
mulher que pratica o planejamento familiar. O novo consiste no fato de que ela
não age mais impelida por uma vontade alheia, mas a partir de uma vontade
própria. Ela está sintonizada com o pensamento moderno, que acredita na
auto-regulamentação das leis que regem o universo. A percepção sempre mais clara
da regularidade das leis internas do universo resulta em atitudes de autonomia.
Em conseqüência disso, a mulher inicia um novo relacionamento com seu próprio
corpo. Verificando que seu corpo responde a determinados estímulos químicos
capazes de inibir a gravidez, por exemplo, ela adquire aos poucos e quase
imperceptivelmente um comportamento autônomo: `O axioma da autonomia está
penetrando lentamente e quase sempre de modo inconsciente em toda a cultura
ocidental’ . Ao programar a sua família, a mulher mexe com as estruturas da
sociedade e do instituto religioso. Mais: ao lutar por uma família que desfrute
de uma melhor qualidade de vida graças à regulamentação dos nascimentos, a
mulher mexe com a própria imagem de Deus. Ela esboça uma nova imagem de Deus,
mais condizente com as leis da autonomia. Os progressos científicos a favor da
vida revelam o santo mistério chamado Deus. Para essa mulher, o Deus
eclesiástico vai se diluindo no horizonte enquanto emerge um Deus que
corresponde às leis internas e autônomas do universo e da humanidade. Para ela,
o que colabora para uma melhor condição de vida é santo. Na medida em que torna
o mundo mais feliz, a pílula anticoncepcional é santa. Então, a mulher
emancipada questiona a igreja, como se pode verificar por toda parte.

Para os bispos, a passagem do pensamento heterônomo para o pensamento autônomo é
bem mais complicada. Mesmo os que estão pessoalmente abertos à mudança dos
tempos permanecem enquadrados numa estrutura fundamentada na heteronomia. Isso
se verifica nas renovadas `guerras santas’ em torno da questão do aborto.
Tomemos o caso paradigmático de Recife março 2009. Quando ocorreu numa clínica
da cidade a interrupção da gravidez de uma menina de nove anos, Dom José Cardoso
Sobrinho, na época arcebispo da cidade, prontamente excomungou os médicos que
praticaram o aborto na menina. Ele justificou seu comportamento dizendo que
estava seguindo as leis da igreja. Desse modo, o bispo recorreu à idéia da
heteronomia. A igreja declara estar `a favor da vida’, contra `o cultivo da
morte’, mas não sabe como lidar com casos concretos relacionados com aborto.
Decerto, o bispo recomendou compaixão com a menina abusada pelo padrasto, mas
não tinha nada a declarar acerca da existência de centenas de clínicas
clandestinas de aborto no Brasil, que vitimam cada ano milhares de mulheres. Ele
recomendou compreensão e preces pelas pobres mulheres que recorrem a tais
clínicas, mas não podia ir além, pois as questões concretas que envolvem aborto
só podem ser resolvidas por meio de ações baseadas no princípio da autonomia. A
sociedade tem de se mostrar capaz de enfrentar com realismo os problemas que se
lhe apresentam. Não basta dizer às mulheres que desejam abortar que elas têm de
se entregar `às mãos de Deus’ e obedecer aos desígnios divinos. Dom José até
pode sonhar com uma igreja santa no meio da devassidão do mundo e dos erros do
século, uma cidadela de Deus, como aquela descrita por Santo Agostinho em sua
obra `A Cidade de Deus’. Mas esse sonho não corresponde à realidade. O postulado
da santidade da igreja é uma elaboração teológica do século IV, baseada na
aproximação da igreja daquele tempo com o sistema imperial romano e nos métodos
utilizados para impressionar as pessoas. Mesmo assim, a imagem de uma igreja
santa, intocável e inquestionável ainda se mantém tão poderosa nos nossos dias
que é capaz de seduzir bispos e mesmo o papa. Em suma, atitudes como as de Dom
José Cardoso criam inutilmente curtos circuitos que dificultam a passagem do
pensamento cristão para o mundo em que vivemos.

5. Como sair do curto circuito?

Para a igreja, não é fácil abandonar o universo imaginário da heteronomia. Mesmo
os textos mais inovadores do concílio Vaticano II ainda são formulados por meio
de imagens herdadas do passado bíblico, sem a devida leitura crítica. Hoje não
existe caminho fora do diálogo com a modernidade. Habilitar-se para tal diálogo
implica, em primeiro lugar, numa atitude de autocrítica. Durante longos séculos,
a igreja católica dominou a cultura ocidental e ficou intocável. Apenas
cinqüenta anos atrás, na abertura do Vaticano II, o domínio do pensamento
católico sobre as consciências ainda era tão poderoso que criticar um
representante da igreja católica era quase o mesmo que criticar o próprio Deus.
A igreja se julgava superior a todas as demais organizações. Mas, recentemente,
quando apareceu a pedofilia praticada por padres, percebeu-se que a igreja não é
tão santa como o papa e os bispos desejariam que fosse. Os padres são humanos
(por vezes demasiadamente humanos), feitos de uma matéria comum a todos os seres
humanos. Diante da pedofilia, por exemplo, a mentalidade moderna não suporta
mais os métodos de intimidação, ocultamento e manipulação que ainda eram aceitos
por nossos pais e avós num passado não tão distante. Nossa percepção do que seja
uma sociedade democrática, igualitária e justa vai se aperfeiçoando e um número
crescente de pessoas acha que não há nada mais louvável que uma sociedade que
caminhe para a democracia e a liberdade. Todos os cidadãos estão sujeitos à lei,
nenhuma instituição está acima da lei civil.

Em segundo lugar, não é bom dramatizar nem exacerbar os sentimentos. Palavras de
guerra como `mentalidade medieval’, `obscurantismo’, `fanatismo’ (de um lado) e
`ateísmo’, `agnosticismo’, `abandono da fé’ (de outro lado) só atrasam o
processo. Lançam-se farpas de ambos os lados, o que não leva a nada. Só por meio
de estudos serenos e da percepção das verdadeiras dimensões do problema é que se
pode avançar. Pensar com liberdade não significa abandonar a fé. Não falar mais
em reis e rainhas, senhores e santidades, tronos e potestades não significa
trair o evangelho. Acompanhar a evolução das ciências, da política e da
sociedade de hoje não é o mesmo que deixar de ser cristão. São Paulo não deixou
de ser judeu quando escreveu

Sim, todos fomos imersos
Num sopro único
Num corpo único
Judeus ou gregos
Escravos ou livres
E todos vivemos animados
Por um sopro único (1Cor 12, 13).

Nesses versos, São Paulo escreve que somos todos feitos do mesmo barro humano e
ao mesmo tempo animados pelo mesmo sopro de Deus, quer sejamos judeus ou gregos,
homens ou mulheres, bispos ou simples fiéis, heterônomos ou autônomos. As
mulheres que praticam o planejamento familiar são feitas do mesmo barro humano
que os bispos que as rejeitam. Não se pode dizer que o planejamento familiar
seja uma questão de fé. Se durante tantos séculos falamos em Deus em termos de
heteronomia, porque não será possível falar dele hoje em termos de autonomia? A
modernidade religiosa consiste na passagem de uma imagem antiga de Deus, herdada
da bíblia, para a imagem de um Deus que encontra sua auto-expressão no universo
em que vivemos. Não há nada de dramático nessa passagem, nada que seja
impossível. Quem vive sintonizado com o tempo de hoje compreende que todas as
energias cósmicas visualizam de maneira por vezes desconcertante (mas sempre
admirável), aquele mistério que ultrapassa nosso entendimento e a que damos o
nome Deus. Hoje é na figura de um universo em contínua gestação que se vislumbra
o rosto de Deus.

Termino este artigo citando um texto da teóloga Ivone Gebara por ocasião dos
acontecimentos de março 2009 em Recife: `Os bispos passam por cima da fé da
comunidade cristã. Eles se comportam como se fossem os únicos porta-vozes do
evangelho de Jesus e desconhecem o senso evangélico dos católicos. Eles
pretendem ser advogados de Deus, mas se tornam cismáticos em relação à
comunidade de cristãos católicos, isto é, rompem com grande parte dela em várias
situações. Esses bispos não temem em incentivar, dentro da igreja, uma guerra
santa em nome de Deus, para salvaguardar coisas que eles julgam serem vontade e
prerrogativa de Deus. Ora, a tradição teológica nunca permitiu que nenhum fiel
(mesmo bispo) falasse em nome de Deus. O sagrado mistério que atravessa tudo o
que existe é inacessível aos nossos julgamentos e interpretações. O mistério que
em tudo habita não precisa de representantes dogmáticos para defender seus
direitos. Nossa palavra é nada mais nem menos do que um balbuciar de
aproximações e de idéias mutáveis e frágeis, inclusive sobre o inefável
mistério. As comunidades cristãs, assim como as pessoas, são plurais. A
comunidade cristã é mais que a igreja hierárquica. Ela é plural, ou seja,
composta de múltiplas comunidades cristãs e estas são igualmente muitas pessoas
cada uma com sua história, suas escolhas e decisões próprias diante da vida.
Urge que a teologia dos bispos saia de uma concepção hierárquica e dualista do
cristianismo e perceba que é na vulnerabilidade às múltiplas dores humanas que
poderemos estar mais próximos das ações de justiça e amor. É claro que sempre
poderemos errar. Esta é a frágil condição humana. Creio que nossas entranhas
sentem em primeiro lugar as dores imediatas, as injustiças contra corpos
visíveis e é a eles que temos o primeiro dever de assistir. A igreja é a
humanidade que se ajuda a suportar dores, a aliviar sofrimentos e a celebrar
esperanças. De fato, um cisma histórico está se construindo e tem crescido cada
vez mais em diferentes países. A distância entre os fiéis e a hierarquia
católica é marcante. Na medida em que os que se julgam responsáveis pela igreja
se distanciam da alma do povo e de seu sofrimento real, eles estarão sendo os
construtores de um novo cisma que acentuará ainda mais o abismo entre as
instituições da religião e a vida cotidiana com sua complexidade, desafios,
dores e pequenas alegrias. As conseqüências de um cisma são imprevisíveis. Basta
aprendermos as lições da história passada’ . Permeadas de um profundo sentimento
de solidariedade com as dores das mulheres que passam pela prova do aborto, as
palavras de Ivone Gebara são modernas, feministas, autônomas. Elas merecem ser
lidas com atenção por aquelas lideranças católicas que desejam promover uma
feliz vivência humana nos dias de hoje. [i]

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=54412

[Tradução: a culpa da fragmentação na ICAR é das mulheres, apesar da autocrítica
em alguns pontos e da mea culpa no final.]

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