[RN] TUNÍSIA: RELIGIOSOS PROMETEM COALIZÃO COM SECULARISTAS

outubro 25, 2011 § Deixe um comentário

ÉPOCA, 25-10-2011

PARTIDO RELIGIOSO DA TUNÍSIA PROMETE COALIZÃO COM SECULARISTAS

Resultados de duas províncias e de urnas para eleitores que moram no exterior indicam vitória do religioso An-Nahda, que promete não levar o país para o caminho teocrático

REDAÇÃO ÉPOCA

Voluntário abre uma das urnas usada na eleição na cidade de Ariana (Foto: Hassene Dridi / AP)Voluntário abre uma das urnas usada na eleição na cidade de Ariana (Foto: Hassene Dridi / AP)

As autoridades eleitorais da Tunísia ainda estão contando os votos da eleição para a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) realizada no último domingo, mas o partido religioso An-Nahda já reivindicou a vitória no pleito. Ciente de que forças liberais de dentro da Tunísia e governos de diversos países temem que o partido coloque a tunísia no rumo de uma teocracia muçulmana, a legenda voltou a prometer que pretende atuar em uma coalizão que inclua partidos seculares, de forma a representar toda a sociedade tunisiana.

Sem os resultados oficiais definitivos, três fatores embasam a reivindicação da vitória por parte do An-Nahda. O mais fraco deles é a contagem própria que o partido fez nos diversos locais de votação para onde enviou seus representantes. Os outros dois motivos da confiança do An-Nahda são mais concretos. Segundo a Instância Superior Eleitoral Independente (Isie), nas províncias de Kebili (sul) e de Beja (norte), onde a apuração já terminou, o movimento islâmico recebeu 50% dos votos. E, na eleição para as 18 cadeiras da ANC reservadas à diáspora tunisiana, o An-Nadha também foi o mais votado, obtendo oito cadeiras. Essas quatro cadeiras vieram da Itália (duas), Alemanha (uma), mundo árabe (uma) e França (quatro) – o último país é o que mais concentra emigrantes tunisianos. Esses 18 parlamentares eleitos pelos tunisianos no exterior se juntarão aos outros 199 eleitos dentro da Tunísia e os 217 terão a missão de elaborar a nova Constituição da Tunísia e de formar um governo provisório que comande o país até a realização das primeiras eleições presidenciais, que ainda não estão marcadas.

Com o resultado expressivo que tudo leva a crer o An-Nahda recebeu, há dúvidas sobre o que o partido fará com o poder que adquirir nas urnas. Até aqui, todos os líderes do An-Nadha, inclusive seu inspirador, Rachid Ghannouchi, que teve um retorno triunfal após o exílio em Londres, prometem que o partido respeitará a democracia, a tomada de decisões por consenso e conseguirá evitar a violência extremista ao dar aos religiosos fundamentalistas participação no processo democrático. O An-Nadha prometeu também respeitar a secularidade da Tunísia, país no qual as mulheres são as que desfrutam de mais liberdades em todos os países árabes. Nesta terça-feira, líderes do An-Nahda voltaram a prometer moderação. "Não queremos monopolizar o poder, queremos uma coalizão ou um governo de unidade nacional", afirmou Ali Aridhi, membro do escritório executivo do partido, ao site da Bloomberg. "O An-Nahda teve conversas sérias durante a campanha e depois das eleições com partidos seculares como o Ettakatol e o Congresso para a República", afirma.

O Ettakatol é um partido social-democrata, de centro-esquerda, que existiu durante o governo do ditador Zine el-Abidine Ben Ali (cuja destituição, em janeiro, deu início à Primavera Árabe), mas que foi duramente reprimido. O partido é liderado por Mustapha Ben Jaafar, um médico que tentou concorrer às eleições em 2009, mas que foi barrado pelo governo. O Congresso para a República foi legalizado depois da deposição de Ben Ali e é liderado pelo ativista de direitos humanos Moncef Marzouki, que também viveu no exílio e que não conseguiu disputar a presidência durante a ditadura de Ben Ali. Uma aliança do An-Nahda com essas siglas dependerá, além das conversas entre seus líderes, do resultado que os partidos terão nas urnas. Se obtiverem cadeiras suficientes para ajudar o movimento islâmico a formar uma maioria, terão um poder de barganha maior.

Na teoria, o modelo do An-Nadha é o Partido Justiça e Desenvolvimento, atualmente no poder na Turquia. Na prática, ainda é impossível saber se o An-Nadha seguirá o modelo turco ou tentará levar a Tunísia para um caminho teocrático como o do Irã, onde uma revolução muçulmana xiita (a Tunísia é majoritariamente sunita) ocorrida há 32 anos mergulhou o país em uma teocracia.

[i]

http://revistaepoca.globo.com/Mundo/noticia/2011/10/partido-religioso-da-tunisia-promete-coalizao-com-secularistas.html

[Heim, uma boa notícia, apesar de tudo.]

s0u4t3u via ateularia.posterous.com

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