CARDEAL DIZ QUE O ATEISMO NAO E PERIGOSO

março 30, 2011 § Deixe um comentário

BLOG PAULO LOPES, 28-03-2011

CARDEAL AFIRMA QUE O ATEÍSMO NÃO É PERIGOSO, MAS A INDIFERENÇA SIM

entrevista a Frédéric Mounier, do jornal francês La Croix

“Queremos dizer à sociedade contemporânea que a fé e a teologia estão entre os
grandes vetores de conhecimento e de cultura, que cada uma têm um estatuto e uma
dignidade próprios. Esse diálogo deve ocorrer no mais alto nível, sem relegar os
crentes em Deus ao paleolítico!” A opinião é do cardeal Gianfranco Ravasi,
presidente do Pontifício Conselho para a Cultura do Vaticano. Para ele, o que
preocupa a igreja não é mais o ateísmo, mas a indiferença religiosa sim, porque
é perigosa. Ele concedeu a seguinte entrevista.

Por que é necessário para a Igreja dialogar com aqueles que não acreditam?

A Igreja não se vê mais como uma ilha separada do mundo. Ela está no mundo. O
diálogo, portanto, é para ela uma questão de princípio. Porque, nas nossas
sociedades orgulhosas por serem secularizadas, constata-se, porém, que surgem
perguntas fundamentais. Testemunho disso é o interesse pelo sagrado, a New Age
ou também pelo sobrenatural e pela magia… Para responder a essa urgência, os
grandes modelos culturais e religiosos se apresentam com legitimidade.

Além disso, queremos dizer à sociedade contemporânea que a fé e a teologia estão
entre os grandes vetores de conhecimento e de cultura, que cada uma têm um
estatuto e uma dignidade próprios. Esse diálogo deve ocorrer no mais alto nível,
sem relegar os crentes em Deus ao paleolítico! Por fim, somos conscientes do
fato de que o grande desafio não é o ateísmo, mas sim a indiferença, que é muito
mais perigosa. Certamente, existe o ateísmo irônico de Michel Onfray, mas a
indiferença pode ser representada por esta piada: “Se Deus saísse hoje pelas
ruas, iriam lhe pedir seus documentos!”.

Mas o Átrio dos Gentios não é um lugar de evangelização?

Certamente não. Somos como Paulo diante do Areópago de Atenas. Dizemos aquilo
que acreditamos diante daqueles que não acreditam e que nos escutam. Embora
sejamos conscientes do fato de que todas as grandes propostas culturais e
religiosas não são só informativas, mas também “performativas”: abrem a uma
ação. Basta ler Dostoiévski, Pascal, Dante, Nietzsche…

Concretamente, o que a Igreja quer dizer aos não crentes?

Retomaria a distinção proposta pelo teólogo protestante alemão Dietrich
Bonhoeffer entre as “realidades penúltimas” e as “realidades últimas”. O
cristianismo, por natureza, é uma religião encarnada, cuja mensagem é
fundamentada em uma realidade histórica. Por essa encarnação, ele pôde agir na
sociedade, trate-se do diálogo com os políticos ou da ação pela justiça e a
solidariedade. Mas nós não constituímos só uma ONG. O nosso dever é o de um
discurso sobre as “realidades últimas”. Com isso, não entendo só Deus, a
Palavra, a transcendência, mas também – e este é o programa do Átrio dos Gentios
– os grandes problemas existenciais: a vida, o amor, a morte…

Nesses planos, a Igreja afirmar ter a Verdade. Uma afirmação pouco aceitável
nestes tempos marcados pela indiferença.

É um grande problema. Para os cristãos, de fato, a Verdade nos precede na pessoa
de Cristo, enquanto, aos olhos da cultura contemporânea, cada um de nós a
constrói. Dessa diferença derivam concepções diversas do bem e do mal, da
liberdade, da justiça. Sabemos bem que, hoje, dado que toda verdade varia de
acordo com o contexto, cada um pode elaborar sua própria verdade. No limite, uma
ação criminosa pode se dizer conforme a uma verdade. Um autor pôde dizer: “A
Verdade não vos libertará”. Ao contrário, Robert Musil afirmava: “A verdade não
é uma pedra preciosa que se leva no bolso, mas sim um mar em que se imerge para
nadar”. Nós pensamos que é urgente evocar a Verdade. Podemos nos contentar,
talvez, com uma sociedade formada só por comportamentos individuais adaptados,
na ausência de normas comuns reconhecidas? Para um cristão, a liberdade é
orientada, ordenada a um objetivo, não só no sentido do laissez-faire
contemporâneo, que se limite à liberdade do próximo.

Trata-se de unificar fé e razão?

De um lado, constamos um excesso de racionalismo, mas também vemos surgir
manifestações de irracionalidade, de sentimentalismo. Nesse contexto, é preciso
sempre retomar a necessária autonomia da fé e da razão. É preciso também lembrar
que, sendo o homem uno, fé e razão dentro dele devem dialogar.

Sobre esses temas, já não está tudo definido?

Certamente, somos uma minoria. Mas a nossa visão pode ser considerada
provocadora, como um pó de comichão ou uma pedra no sapato. Dado que a multidão
vai em uma certa direção, nós talvez também devemos segui-la?

Até se constitui em uma contracultura?

De fato, o crente é sinal de contradição. A cultura contemporânea, moldada pela
comunicação de massa, visa à homogeneização do pensamento. Qualquer pessoa que
seja uma exceção é considerado extravagante. Cabe a nós, junto com outros,
realizar um trabalho essencial e difícil: buscar o verdadeiro, o bem, reconhecer
o falso, o mal…

Sobre essas bases, quais frutos são esperados desses encontros parisienses do
Átrio dos Gentios?

Queremos jogar uma pedra no lago, estimular a reflexão e o diálogo, e depois
observar aquilo que acontece. Durante a nossa primeira sessão, na universidade
de Bolonha, ficamos surpresos. De cada quatro relatores que intervieram (um
cientista, um jurista, um filósofo, um escritor), dois eram crentes em Deus, e
dois, não. Participaram 2.000 pessoas, discutiram ouviram leituras de Nietzsche,
Pascal, Santo Agostinho. Tudo no máximo silêncio, com grande respeito recíproco
e uma atenção elevada. Depois deParis, iremos para Estocolmo, sob a égide do
luteranismo de Estado. Depois a Tiranae a Praga, importantes centros do ateísmo
de Estado.

[i]

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O TERREMOTO JAPONES NAO RELIGIOSO

março 19, 2011 § Deixe um comentário

JC NET, 20-03-2011

DEPOIS DO TERREMOTO

Em toda tragédia provocada por abalos sísmicos os cronistas relembram o
terremoto de Lisboa, que provocou profundas reflexões nos intelectuais da época.
No dia 1º de novembro de 1775, às nove e trinta da manhã, as igrejas estavam
lotadas por causa do feriado religioso de Todos os Santos. A terra tremeu e os
tetos decorados com figuras divinas desabaram sobre os fiéis. Os sobreviventes
fugiram para as planícies do Rio Tejo e se surpreenderam com o recuo das águas
que deixou os navios expostos. Sobreveio então a segunda catástrofe, com um
gigantesco tsunami de ondas de 10 a 20 metros de altura. Mas haveria ainda uma
terceira parte da desgraça. O grande incêndio iniciado pelo fogo das casas e
pelas velas das igrejas iluminadas. Como não havia quem apagasse o incêndio,
Lisboa ardeu durante cinco dias. Morreram entre dez mil a trinta mil pessoas,
cerca de 50% da população; 80% das edificações ruíram.

Expoentes do iluminismo como Voltaire, Kant, Rousseau e Goethe escreveram sobre
o terremoto. Por que Deus teria sido tão cruel com um dos países mais religiosos
da Europa? Era a pergunta que todos faziam e que eles tentavam responder.
Leibiniz, metafísico, otimista, dizia que vivíamos “no melhor dos mundos”. Pior
do que qualquer terremoto teria sido Nero e Calígula. Rosseau achava que eram os
erros dos homens os responsáveis pela corrupção da harmonia da Criação. Em
vários ensaios Kant se apegava às ideais de Aristóteles sobre canais no interior
da Terra. Dizia que sob nossos pés há cavidades e galerias estendendo-se por
toda parte, contendo fogo brilhante que, com pequeno estímulo pode lançar-se a
agitar ou mesmo fender a terra. O sábio grego não estava muito longe da hoje
conhecida movimentação das chamadas placas tectônicas. O que eles queriam dizer,
em síntese, é que o raio que cai na cabeça de quem reza nada tem a ver com Deus.
Contemporâneo, Mahtma Ghandi (1869-1948) tinha uma explicação mais chã: “Deus
não tem religião”. Para não ser considerado ateu teria que acreditar nele mesmo.

A tragédia vivida há dias pelos japoneses, certamente foi a mais documentada da
história. Hoje qualquer pessoa pode registrar cenas com o telefone celular. Há
câmeras espiãs em todo cenário urbano. A tecnologia possibilitou a captura de
imagens ao vivo dos efeitos dos tremores, da invasão das águas, da destruição, e
o que se segue desde o vazamento de radiação das usinas atômicas, em Fukushima.
O que surpreende em todas as imagens mostradas pela televisão, altamente
dramáticas, é que não há uma única cena onde os flagelados demonstrem desespero.
Nenhum grito. Sobreviventes procuram ajudar outros a sobreviverem. Ninguém
reclama, protesta ou berra. As pessoas sequer tocam no que sobrou. Nada de
saques às joalherias e nem mesmo aos supermercados para conseguir água e comida.

A cultura japonesa está alicerçada no coletivismo. É muito melhor juntar as
forças para reconquistar o que foi perdido do que gastar energia em lamentações.
Os brasileiros estranhavam, no século passado, o costume das famílias japonesas
imigradas dormirem, pais e filhos, todos sob o mesmo alcochoado. Mal percebiam
que o coletivismo dos japoneses, que leva à cooperação, à disciplina e à
obediência hierárquica dentro da família nasce desse ato singelo de dormirem
aconchegados. Um esquenta o outro. O princípio do Iluminismo é parecido: os
seres humanos estão em condições de tornar este mundo melhor mediante
introspecção, livre exercício das capacidades humanas e engajamento
político-social. Kant dizia que nós, humanos, precisamos ter coragem de fazer
uso da própria razão e não sermos tutelados. Nem por Deus. “A fé começa quando
termina o pensamento”, arrematou Kierkegaard quase um século depois. Hiroxima e
Nagasaki foram totalmente destruídas por bombas atômicas. Mais de cem mil
morreram em cada cidade e outras 300 mil sofreram e ainda sofrem consequências
da radiação. Hoje são duas cidades-jardins. Os japoneses nunca condenaram nem a
Deus e nem aos norte-americanos pela crueldade despejada do céu. Em meio às
flores, monumentos e obras de arte evocativas, cuidaram de deixar algumas marcas
do holocausto para lembrar ao mundo a estupidez humana, para que ela não se
repita. Riobaldo (Guimarães Rosa – 1908-1967) retemperava: “O diabo é às brutas,
mas Deus é traiçoeiro”. No Juízo Final, Ele acerta as contas sem maiores
tragédias.

O autor, Zarcillo Barbosa, é jornalista e colaborador do JC

[i]

http://www.jcnet.com.br/detalhe_opiniao.php?codigo=203625

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março 19, 2011 § Deixe um comentário

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