ARCEBISPO DA PB DIZ QUE GAYS DESMORALIZAM ICAR

março 30, 2011 § Deixe um comentário

BLOG PARAÍBA HOJE, 29-03-2011

HOMOSSEXUALISMO DESMORALIZA A IGREJA CATÓLICA, DIZ DOM ALDO

Publicado por Marconi

O arcebispo metropolitano da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, comentou hoje as ameaças
feitas por ex-seminaristas contra o bispo Dom José Gonzáles Alonso e seis padres
de Cajazeiras. A confusão se tornou pública depois que mensagens de texto foram
enviadas aos celulares dos religiosos com promessa de assassinato. Nos torpedos
e em emails, os autores das ameaças prometiam matar as vítimas e depois cometer
suicídio.

– Acontece que em quaisquer setores existem sempre esses fenômenos, ou seja, uma
pessoa com uma tendência X. Então, frustrada, ela vai sem vingar da sua
frustração e não passou disso. Parece-me que era um elemento que foi seminarista
e que então arranjou um caso e agora fica ameaçando Deus e o mundo. Isso não vai
dar em nada.

Dom Aldo foi incisivo e admitiu que o problema envolveu assuntos relacionados à
homossexualidade de alguns seminaristas:

– A questão de homossexualismo e práticas inconvenientes, o santo papa João
Paulo II e agora Bento VI tem verdadeira intolerância e rigor para que não venha
denegrir não só a imagems da igreja, mas a sua missão porque descredibiliza e
desmoraliza. Quem tem essa tendência e quer praticar, não poder fazer nesse
ambiente. É impraticável com a missão sublime que nós temos de evangelizar.

[i]

http://paraibahoje.wordpress.com/2011/03/29/homossexualismo-desmoraliza-a-igreja
-catolica-diz-dom-aldo/

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ICAR LANÇA QUADRINHOS DO PAPA BENTO 16

março 26, 2011 § Deixe um comentário

DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 25-03-2011

IGREJA CATÓLICA LANÇA MANGÁ DO PAPA BENTO XVI

Depois da criação do site Pope2you.net com aplicativos para Facebook e iPhone,
e um canal de vídeos no Youtube, o Papa agora virou mangá em gibi.

É isso mesmo, a autoridade máxima da Igreja Católica aparece sorridente e
cercada de adolescentes em revista que será distribuída na Jornada Mundial da
Juventude, projeto de iniciativa de seu antecessor, o Papa João Paulo II
(1920-2005).

A Jornada Mundial da Juventude rola em Madri, na Espanha, entre 16 e 21 de
agosto, reunindo cerca de 300 mil pessoas para acompanhar 100 espetáculos de
todo o mundo. Seis atrações brasileiras estão confirmadas no evento: Rosa de
Saron, Dominus, Irmã Kelly Patrícia, Márcio Cruz, Ministério Eucarístico e
Comunidade Católica Shalom.

Da revista Ragga

[i]

http://www.diariodepernambuco.com.br/viver/nota.asp?materia=20110325154215

TOPLESS LESBICO EM CAPELA DEIXA ICAR INJURIADA

março 18, 2011 § Deixe um comentário

PARACLITOS, 18-03-2011

ATO SACRÍLEGO REALIZADO EM CAPELA CATÓLICA NA ESPANHA POR LÉSBICAS

MENDES SILVA I.

70 jovens foram a uma capela da Universidade Complutense de Madrid proferindo
insultos contra a Igreja Católica, o Papa e o clero, enquanto algumas garotas
que faziam parte da profanação se despiram da cintura para acima ao redor do
altar ante os aplausos do resto.

Conforme assinala o jornal espanhol ABC, uma aluna da faculdade de ciências
econômicas que foi testemunha dos fatos e que estava rezando na capela do campus
de Somosaguas da universidade madrilenha, disse que duas das jovens ao redor do
altar “fizeram alarde de sua tendência homossexual”.

Os vândalos ingressaram com um megafone até a sala de espera da capela. O
capelão se precaveu do barulho e tentou detê-los mas foi sacudido.

No lugar os agressores leram textos e frases que, diziam, eram de autores
cristãos sobre a mulher. Também deram leitura a um manifesto com afirmações e
julgamentos contra a Igreja e seus ensinamentos e puseram pôsteres nos murais da
entrada à capela, e nos bancos da mesma. Tudo foi fotografado e filmado. Aqui
podem ser vistas algumas fotos

Uma aluna da universidade citada pela ABC sem dar seu nome assinalou que “à
margem das crenças religiosas de cada um `destes’, não resisto em elevar a voz
ante um fato tão lamentável como este. O que teria acontecido se algo assim
acontecesse em uma mesquita? Que `esses’ saibam que os católicos nunca
responderão à provocação com provocação para defender-se”.

“Ninguém poderá nos calar, ante o mais mínimo atropelo, brincadeira, intimidação
ou qualquer outra obrigação ilegítima que ofenda os sentimentos religiosos de
ninguém. Além disso, ações como estas estão castigadas por nosso ordenamento
jurídico. Como é fácil e covarde atuar no anonimato!”, acrescentou.

O Reitorado da Universidade Complutense condenou a profanação da capela do
campus de Somosaguas e anunciou uma investigação “para delimitar possíveis
responsabilidades”.

“Este Reitorado reitera a necessidade de manter o respeito à pluralidade de
cultos e crenças religiosas e faz uma chamada à tolerância e à convivência ante
as expressões das mesmas. A neutralidade do Estado em matéria religiosa
significa que não se pode impor nem perseguir crença alguma. A tolerância e o
respeito são absolutamente indispensáveis”, indica o comunicado.

O jornal ABC assinala que esta agressão não é nova já que ao início da semana as
paredes e portas do recinto apareceram pichadas com insultos para os católicos
(como se vê na foto).

Rechaço da Arquidiocese de Madrid

Em uma nota de imprensa divulgada ontem, o Arcebispado de Madrid rechaçou a
profanação da capela do campus de Somosaguas da Universidade Complutense de
Madrid.

No texto se destaca que “diante destes fatos absolutamente reprováveis, que são
objeto de delito, e que denigrem em primeiro lugar quem os comete, o Arcebispado
de Madrid elevou sua queixa ao Reitorado da Universidade”.

Deste modo o Arcebispado denunciou que “estas ações são um atentado à liberdade
de culto e uma profanação de um lugar sagrado, o qual suporta penas canônicas no
caso de que aqueles as cometeram estejam batizados”.

Finalmente a nota afirma que “é indigno que, em uma sociedade democrática onde
se pede o respeito às pessoas, às instituições religiosas e ao direito da
celebração pública da fé na Universidade Complutense -com a que a Igreja mantém
uma estreita e amigável relação de colaboração-, alguns jovens possam manchar
com este tipo de comportamentos o bom nome e trabalho da comunidade
universitária”.

Clique Aqui para protestar contra esta blasfêmia, exigindo ao reitor da
Universidade 1) a identificação dos estudantes que participaram do vandalismo;
2) o auxílio à polícia na obtenção do material que comprove o crime; 3) o
fechamento desta citada associação de estudantes; e 4) a expulsão do líder
(máximo responsable) da manifestação.

– – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –
por ACI Digital

[i]

http://www.paraclitus.com.br/2011/blog/ato-sacrilego-realizado-em-capela-catolic
a-na-espanha-por-lesbicas/

VIZINHOS QUEREM MATAR HOMEM POR ELE NAO SER CATOLICO

março 17, 2011 § Deixe um comentário

ZÓCALO, 16-03-2011

“QUASE ME MATAM POR NÃO SER CATÓLICO”

“Casi me matan por no ser católico”

México.- “No tiene ni un mes que esto pasó. Estaba a punto de llegar a la
iglesia cuando vi que había una fila de gente que estaba impidiendo el paso, y
cuando llegué a la puerta me di cuenta que eran mis vecinos, quienes no
permitieron que ni mi familia ni yo entráramos al servicio mientras amenazaban
con lincharme por no compartir sus creencias”, manifestó el reportero ciudadano
que por razones de seguridad, pidió el anonimato.

Ya que hace unas semanas, el vecino de la colonia Viveros Tulpetlac, ubicada en
el municipio de Ecatepec, fue sorprendido por diversos habitantes del lugar,
quienes amenazaron con lincharlo si se atrevía a volver a entrar a la iglesia
cristiana ‘La Roca del refugio’, advirtiéndole que “en esta colonia, somos
católicos y nadie va a poder cambiar eso”.

“Por muchos años, estuve perdido en el vicio del alcohol, al grado de en muchas
ocasiones me quedé tirado en la calle, hasta que un día, el pastor de la iglesia
cristiana ‘La Roca del refugio’ comenzó a platicar conmigo, y unos meses
después, comencé a asistir al templo en compañía de mi familia, nunca habíamos
tenido ningún problema por nuestra fe”, enfatizó.

Más después del incidente, el reportero ciudadano manifestó tener miedo de que
sus propios vecinos cumplan su advertencia, sin embargo, aseguró que estas
acciones no lo alejaran de su fe.

“Ojalá que las autoridades hagan algo al respecto, ya que estoy seguro que mi
caso no es ni será el único que se vive en el estado de México, más también
tengo la certeza de que esta prueba servirá para fortalecer mi fe, pues no voy a
dejar de creer ante sus amenazas”, puntualizó.

Cabe señalar que estadísticas de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos
(CIDH) señalan que las amenazas de muerte o hasta la expulsión de familias de
colonias o comunidades son las denuncias más recurrentes de intolerancia
religiosa, las cuales, se han registrado principalmente en los estados de
Chiapas, Oaxaca, Guerrero, Hidalgo, estado de México y Michoacán. [i]

http://www.zocalo.com.mx/seccion/articulo/casi-me-matan-por-no-ser-catolico/

CAMPANHA PUBLICITARIA DA ICAR NOS EUA PEDE VOLTA DOS FIEIS

março 17, 2011 § Deixe um comentário

PAVA BLOG – WASHINGTON POST, 16-03-2011

IGREJA CATÓLICA FAZ CAMPANHA PARA QUE FIÉIS “VOLTEM PARA CASA”

Publicado por Jarbas Aragão

O cardeal Sean O’Malley, da Arquidiocese de Boston, deu início este mês a uma
campanha publicitária maciça para atrair de volta um grande número de católicos
que abandonaram a Igreja.

Na quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma, começou oficialmente a
“Catholics Come Home” [Católicos, voltem para casa] que irá até o Domingo de
Páscoa. É uma verdadeira enxurrada de mensagens, com cerca de 2.500 anúncios
programados no rádio e na TV.

O’Malley explica a iniciativa: “Estamos com saudades dos irmãos e as nossas
comunidades estão diminuindo por causa dessa ausência”. Não deverá ser uma
conquista tão fácil, afinal Boston é o centro do maior escândalo de abuso sexual
do clero norte-americano. Dezenas de padres abusadores continuaram vivendo entre
os paroquianos, enquanto seus crimes eram mantidos em segredo.

Nicole Frampton, 39 anos, mãe de cinco filhos, afirma ter “muito orgulho” de ser
católica, embora não tenha ido a nenhuma missa nos últimos anos. Frampton diz
acreditar que a Igreja tem uma visão antiquada sobre as mulheres e se ressente
dos fardos da “culpa católic “. Saiu com a sensação que sua paróquia local não
tinha nada para lhe oferecer. Porém, admite que o convite de “voltar para casa”
mexeu com ela.

“Posso ver que isso realmente atrairá algumas pessoas, especialmente com tudo o
que está acontecendo no mundo nesses dias, falta de dinheiro e a instabilidade
geral”, disse ela, mesmo afirmando não estar convencida de que as coisas vão
mudar.

A campanha de anúncios da Arquidiocese será feita em parceria com a organização
católica “Come Home”, sediada na Geórgia. O cardeal O’Malley disse estar
preocupado que o vergonhoso passado da arquidiocese possa afetar a disposição
das pessoas em voltar. Mesmo assim, pensa que isso não pode impedir a Igreja de
compartilhar a sua mensagem redentora. “Embora a crise de abusos sexuais tenha
sido um episódio doloroso para todos nós, ainda acreditamos na Igreja Católica e
nós acreditamos no evangelho de Jesus Cristo”, esclarece.

Fundador da Catholics Come Home, Tom Peterson realizou uma pesquisa e concluiu
que as pessoas se desviam da igreja mais frequentemente por causa da sua vida
agitada. Um número bem menor a abandona com desgosto ou raiva. As pessoas têm
muitos compromissos e a igreja acaba deixando de ser prioridade, disse ele.

No entanto, Peterson acredita que o trabalho de sua organização tem mostrado que
muitas pessoas estão abertas para um retorno, só precisam ser chamadas de volta.
Eles fazem uma levantamento antes e depois do programa em algumas cidade para
medir o efeito desse apelo público. Entre as dezenas de dioceses onde já foi
realizada, a frequência de católicos aumentou em média 10%. A maior resposta foi
em Phoenix, Arizona, onde estimam que 92.000 pessoas voltaram para a igreja.

A campanha de Boston custou US$ 600.000 e foi inteiramente financiada por
doações de paroquianos. Um dos anúncios, por exemplo, mostra uma colagem de
pessoas e lugares através de diferentes épocas e apresenta a Igreja como uma
fonte constante de esperança e de caridade. O narrador diz: “Neste mundo cheio
de sofrimento, caos e dor, é reconfortante saber que algumas coisas permanecem
coerentes, verdadeiras e fortes. Se você está fora da Igreja Católica, nós o
convidamos para voltar”.

A arquidiocese tem oferecido treinamento para ensinar como os paroquianos que
retornam devem ser tratados.

Groome Thomas, professor de teologia e educação religiosa do Boston College,
disse que a campanha não irá funcionar se as pessoas voltarem e ouvirem uma
pregação insatisfatória, perceber o descaso da igreja com as questões sociais e
esperarão um acolhimento incondicional.

Já existe uma versão brasileira dessa campanha, criada em 2008. Mais informações
em http://www.voltaparacasa.com.br/

Agência Pavanews, com informações de Washington Post.

[i]

http://www.pavablog.com/2011/03/16/igreja-catolica-faz-campanha-para-que-fieis-v
oltem-para-casa/

[Estão tentando desacelerar a fuga mundial de fieis. Tem país que a queda é de 1
por cento a cada dois anos. Se continuar assim, a metade da população católica
pode sumir em menos de um século.]

PADRE CULPA AS MULHERES POR CISMA NA ICAR

março 15, 2011 § Deixe um comentário

ADITAL, 03-03-2011

IGREJA E MULHER: UM DIÁLOGO POSSÍVEL?

Eduardo Hoonaert
Padre casado, belga, com mais de 5O anos de Brasil, historiador e teólogo, mais
de 20 livros publicados. Mora em Salvador. Dedica-se agora ao estudo das origens
do cristianismo

1. Uma longa história

Desde os inícios, o cristianismo histórico tem tido dificuldades em compreender
o comportamento de Jesus para com as mulheres. Diversos trechos dos evangelhos
demonstram admiração, mas ao mesmo tempo deixam transparecer estranheza. Os
próprios apóstolos não entendem o modo como Jesus aborda as mulheres. Pedro, um
de seus mais próximos companheiros, não tolera que uma mulher seja considerada
apóstola em pé de igualdade com os homens, como se pode ler no evangelho
apócrifo de Maria Madalena . Por causa dessa e de outras dificuldades, o
cristianismo histórico guarda uma memória precária e até deformada acerca do
comportamento de Jesus diante das mulheres. Maria Madalena, a mais proeminente
figura feminina do novo testamento, é sistematicamente maltratada nos sermões da
igreja, até ser rebaixada à condição de prostituta e de pecadora arrependida.
Essa criminalização simboliza na realidade o rebaixamento da figura da mulher em
geral, na tradição cristã. Mas não é só a cultura cristã que desconsidera a
mulher. A maioria das culturas é igualmente preconceituosa nesse ponto e ficaria
igualmente escandalizada com Jesus, que apreciava o perfume e o afeto de uma
mulher e que insistia em que a memória da ternura de uma mulher fosse preservada
`por onde quer que o evangelho fosse proclamado’ (Mt 26, 12). Essa memória
sempre encontrou resistência no seio do cristianismo histórico, como
provavelmente encontraria na maioria das culturas.

2. Emerge uma nova consciência feminina

Após séculos de silêncio e submissão, a mulher do século XX finalmente dá sinais
de rompimento com o passado. No âmbito católico, é na década de 1940 que
aparecem os primeiros indícios discretos de que algo está mudando no universo
feminino: as mães não mandam mais seus filhos à missa dominical com a fidelidade
de antes. Isso repercute imediatamente na igreja, mas quase ninguém percebe o
que está acontecendo. Quando, em 1943, o padre Henri Godin, em seu livro
‘França, país de missão?’, constata com amargura que a França não é mais o
país católico de antes, ele não suspeita que a mulher tenha a ver com essa
`descristianização’. O mesmo acontece com o sociólogo Gabriel Le Bras, que
atribui o declínio na assistência à missa ao estilo de vida na grande cidade, à
perda de fé e à secularização. Mas não fala da mulher. E quando, nos anos 1960,
se constata um rápido declínio de vocações para o sacerdócio, também não se
enxerga nisso a mutação na relação do vocacionado com sua mãe. Os primeiros
estudos que apontam nessa direção são dos anos 1990 . É no silêncio do universo
feminino que se opera a desconstrução da igreja.

Mas no início dos anos 1960, no momento em que o papa João XXIII pensa em
convocar um concílio, a `desobediência’ feminina de repente ganha notoriedade: a
pílula anticoncepcional oral entra em cena e seu sucesso é imediato. A mulher
verifica que os ritmos das energias procriativas de seu corpo, se não forem
controlados, dificultam a qualidade de vida a que ela e sua família aspiram. Os
ciclos sempre repetidos da gravidez, do nascimento da criança, dos longos tempos
dedicados ao recém-nascido, dos trabalhos na casa, da preparação dos alimentos,
dos cuidados como o marido não deixam espaço para que ela se desenvolva
plenamente, em contraste com o que acontece ao homem que, depois do ato sexual,
fica `liberado’. Permitida nos Estados Unidos em 1960, a pílula conquista o
mundo em poucos anos. O sucesso já dura 50 anos. Hoje, no mundo inteiro, cem
milhões de mulheres recorrem à pílula ou a outros métodos contraceptivos
(camisinha, dispositivo intra-uterino, diafragma, diversos produtos
espermicidas). A Organização das Nações Unidas (ONU) aprova oficialmente o
planejamento familiar e declara que ele colabora com a saúde e o bem-estar da
mulher, dos filhos e da família (conferência do Cairo, 1994). Estamos diante da
emergência de um pensamento autônomo, em contraste com o pensamento heterônomo
até então vigente. Elabora-se uma nova arquitetura do estado com a finalidade de
promover saúde, educação, bem-estar das famílias, assim como atendimento
médico-hospitalar baseado na idéia da regulamentação dos nascimentos. `Eis uma
revolução de dimensões planetárias’, realça Rose Marie Muraro . A idéia do
planejamento familiar é uma idéia genuinamente feminina que põe em movimento a
maior revolução do século XX, uma revolução silenciosa que se processa na
intimidade das residências privadas, no diálogo íntimo entre homem e mulher,
longe dos púlpitos clericais, das cátedras doutorais e dos foros públicos. Ao
controlar a fertilidade, a pílula faz com que a mulher possa entrar no mercado
de trabalho ao lado do homem. Doravante, seu corpo não pertence mais à
fatalidade dos ciclos da procriação e se liberta aos poucos da vontade do homem.
A pílula inaugura um tempo novo, não só para a mulher, mas para a sociedade como
um todo. As relações de gênero e trabalho se transformam em profundidade.
Entusiasmada, Rose Marie Muraro opina que com a pílula `o mundo se torna melhor.
Quando dominado pelo homem, o mundo é hierarquizado. Mas ele se estabelece em
rede quando a mulher entra em cena’.

Uma vez que na mesma época se inicia o concílio Vaticano II, vale a pena se
perguntar se há interação entre ambas as iniciativas. O movimento em prol da
libertação do corpo feminino tem algo a ver com o `aggiornamento’ do papa João
XXIII? Será que os bispos reunidos em Roma tomam conhecimento do que está
acontecendo no universo feminino e procuram entrar em diálogo com as mulheres?

3. Porque o Vaticano II desconhece a mulher?

Sabemos que mulheres não são convidadas a falar em concílios ecumênicos. Mas
elas interferem, isso sim, nos destinos dos concílios. Enquanto os bispos do
Vaticano II tentam compreender as razões da `descristianização’, elas atuam na
base, desatando laços seculares e desse modo esvaziando as igrejas. Enquanto os
teólogos falam em secularização, ateísmo, consumismo, individualismo ou
hedonismo, elas introduzem comportamentos autônomos no seio do velho mundo,
marcado por séculos de heteronomia. Decerto, o papa João XXIII sabia que as
igrejas estavam ficando vazias em Paris, onde ele foi núncio. Seu diagnóstico de
que havia desencontro entre igreja e mundo moderno estava certo. O que lhe
faltava era ir ao âmago da questão. Desse modo, o Vaticano II certamente fez um
bom trabalho, como realça José Oscar Beozzo, mas não conseguiu identificar com
clareza a ideologia heterônoma que caracteriza a igreja.

É de se compreender a razão. O universo imaginário da igreja cristã provém em
última análise da bíblia, elaborada num mundo dominado por estruturas
heterônomas. O rei (o imperador) manda no povo, o senhor manda no escravo
(trabalhador), o homem manda na mulher, o pai manda nos filhos e Deus manda em
todos (e todas). A vida toda é concebida em termos de heteronomia: há sempre um
`outro’ que manda. A vida humana está sempre em mãos alheias. A heteronomia
constitui o mais antigo e durável modelo de convivência humana, que caracteriza
regimes políticos, econômicos, sociais, culturais e psicológicos. Na bíblia,
Deus aparece como um ser todo-poderoso, santíssimo, sentado no trono celeste.
Ele criou o universo em poucos dias e até hoje governa sua criação da mesma
forma que um rei persa controla seus imensos territórios, guarda tudo que
acontece numa memória infinita (melhor que a memória do computador mais potente)
e julga tudo como o mais justo dos juizes. Ele premia o bem e castiga o mal, às
vezes aqui na terra, mas certamente após a morte, na vida eterna. Deus por vezes
aparece como senhor rigoroso e justo, outras vezes como pai amoroso que perdoa
tudo. Mas sempre fica fora do mundo em que vivemos. Nos dois primeiros versos da
bíblia aparece uma imagem nitidamente heterônoma de Deus: de um lado a luz, o
sopro, a vida, do outro lado o vazio, a solidão, a escuridão e a morte:

Primeiras palavras:
Deus cria o céu e a terra,
Terra vazia, solidão,
Escuro em cima do abismo
Sopro de Deus
Movimentos sob as águas (Gn 1, 1-2).

Admitamos que os estudiosos da bíblia procuram desprender-se da imagem de Deus
como a que aparece no texto citado do livro Gênesis. No entanto, a idéia
heterônoma está tão enraizada no subconsciente das pessoas e da instituição que
só em raros casos ela chega à consciência. Mas a história avança. Decisiva foi,
no plano político, a passagem para regimes democráticos e autônomos que se
processou nos últimos 200 anos. Mas foi no plano científico que a idéia da
autonomia fez seus maiores progressos. Cada vez mais, os cientistas descobrem
que o mundo é auto-regulamentado, baseado em leis marcadas por uma lógica
interna. Não há mais necessidade de milagres `fora das leis naturais’, pois a
cada momento o milagre está aí, diante dos olhos e dentro do corpo. Outro avanço
é a `reviravolta lingüística’ que hoje dinamiza uma nova maneira de se falar em
Deus e nas coisas divinas.

4. A mulher e o bispo

A estas alturas é bom averiguar o que é realmente novo no comportamento da
mulher que pratica o planejamento familiar. O novo consiste no fato de que ela
não age mais impelida por uma vontade alheia, mas a partir de uma vontade
própria. Ela está sintonizada com o pensamento moderno, que acredita na
auto-regulamentação das leis que regem o universo. A percepção sempre mais clara
da regularidade das leis internas do universo resulta em atitudes de autonomia.
Em conseqüência disso, a mulher inicia um novo relacionamento com seu próprio
corpo. Verificando que seu corpo responde a determinados estímulos químicos
capazes de inibir a gravidez, por exemplo, ela adquire aos poucos e quase
imperceptivelmente um comportamento autônomo: `O axioma da autonomia está
penetrando lentamente e quase sempre de modo inconsciente em toda a cultura
ocidental’ . Ao programar a sua família, a mulher mexe com as estruturas da
sociedade e do instituto religioso. Mais: ao lutar por uma família que desfrute
de uma melhor qualidade de vida graças à regulamentação dos nascimentos, a
mulher mexe com a própria imagem de Deus. Ela esboça uma nova imagem de Deus,
mais condizente com as leis da autonomia. Os progressos científicos a favor da
vida revelam o santo mistério chamado Deus. Para essa mulher, o Deus
eclesiástico vai se diluindo no horizonte enquanto emerge um Deus que
corresponde às leis internas e autônomas do universo e da humanidade. Para ela,
o que colabora para uma melhor condição de vida é santo. Na medida em que torna
o mundo mais feliz, a pílula anticoncepcional é santa. Então, a mulher
emancipada questiona a igreja, como se pode verificar por toda parte.

Para os bispos, a passagem do pensamento heterônomo para o pensamento autônomo é
bem mais complicada. Mesmo os que estão pessoalmente abertos à mudança dos
tempos permanecem enquadrados numa estrutura fundamentada na heteronomia. Isso
se verifica nas renovadas `guerras santas’ em torno da questão do aborto.
Tomemos o caso paradigmático de Recife março 2009. Quando ocorreu numa clínica
da cidade a interrupção da gravidez de uma menina de nove anos, Dom José Cardoso
Sobrinho, na época arcebispo da cidade, prontamente excomungou os médicos que
praticaram o aborto na menina. Ele justificou seu comportamento dizendo que
estava seguindo as leis da igreja. Desse modo, o bispo recorreu à idéia da
heteronomia. A igreja declara estar `a favor da vida’, contra `o cultivo da
morte’, mas não sabe como lidar com casos concretos relacionados com aborto.
Decerto, o bispo recomendou compaixão com a menina abusada pelo padrasto, mas
não tinha nada a declarar acerca da existência de centenas de clínicas
clandestinas de aborto no Brasil, que vitimam cada ano milhares de mulheres. Ele
recomendou compreensão e preces pelas pobres mulheres que recorrem a tais
clínicas, mas não podia ir além, pois as questões concretas que envolvem aborto
só podem ser resolvidas por meio de ações baseadas no princípio da autonomia. A
sociedade tem de se mostrar capaz de enfrentar com realismo os problemas que se
lhe apresentam. Não basta dizer às mulheres que desejam abortar que elas têm de
se entregar `às mãos de Deus’ e obedecer aos desígnios divinos. Dom José até
pode sonhar com uma igreja santa no meio da devassidão do mundo e dos erros do
século, uma cidadela de Deus, como aquela descrita por Santo Agostinho em sua
obra `A Cidade de Deus’. Mas esse sonho não corresponde à realidade. O postulado
da santidade da igreja é uma elaboração teológica do século IV, baseada na
aproximação da igreja daquele tempo com o sistema imperial romano e nos métodos
utilizados para impressionar as pessoas. Mesmo assim, a imagem de uma igreja
santa, intocável e inquestionável ainda se mantém tão poderosa nos nossos dias
que é capaz de seduzir bispos e mesmo o papa. Em suma, atitudes como as de Dom
José Cardoso criam inutilmente curtos circuitos que dificultam a passagem do
pensamento cristão para o mundo em que vivemos.

5. Como sair do curto circuito?

Para a igreja, não é fácil abandonar o universo imaginário da heteronomia. Mesmo
os textos mais inovadores do concílio Vaticano II ainda são formulados por meio
de imagens herdadas do passado bíblico, sem a devida leitura crítica. Hoje não
existe caminho fora do diálogo com a modernidade. Habilitar-se para tal diálogo
implica, em primeiro lugar, numa atitude de autocrítica. Durante longos séculos,
a igreja católica dominou a cultura ocidental e ficou intocável. Apenas
cinqüenta anos atrás, na abertura do Vaticano II, o domínio do pensamento
católico sobre as consciências ainda era tão poderoso que criticar um
representante da igreja católica era quase o mesmo que criticar o próprio Deus.
A igreja se julgava superior a todas as demais organizações. Mas, recentemente,
quando apareceu a pedofilia praticada por padres, percebeu-se que a igreja não é
tão santa como o papa e os bispos desejariam que fosse. Os padres são humanos
(por vezes demasiadamente humanos), feitos de uma matéria comum a todos os seres
humanos. Diante da pedofilia, por exemplo, a mentalidade moderna não suporta
mais os métodos de intimidação, ocultamento e manipulação que ainda eram aceitos
por nossos pais e avós num passado não tão distante. Nossa percepção do que seja
uma sociedade democrática, igualitária e justa vai se aperfeiçoando e um número
crescente de pessoas acha que não há nada mais louvável que uma sociedade que
caminhe para a democracia e a liberdade. Todos os cidadãos estão sujeitos à lei,
nenhuma instituição está acima da lei civil.

Em segundo lugar, não é bom dramatizar nem exacerbar os sentimentos. Palavras de
guerra como `mentalidade medieval’, `obscurantismo’, `fanatismo’ (de um lado) e
`ateísmo’, `agnosticismo’, `abandono da fé’ (de outro lado) só atrasam o
processo. Lançam-se farpas de ambos os lados, o que não leva a nada. Só por meio
de estudos serenos e da percepção das verdadeiras dimensões do problema é que se
pode avançar. Pensar com liberdade não significa abandonar a fé. Não falar mais
em reis e rainhas, senhores e santidades, tronos e potestades não significa
trair o evangelho. Acompanhar a evolução das ciências, da política e da
sociedade de hoje não é o mesmo que deixar de ser cristão. São Paulo não deixou
de ser judeu quando escreveu

Sim, todos fomos imersos
Num sopro único
Num corpo único
Judeus ou gregos
Escravos ou livres
E todos vivemos animados
Por um sopro único (1Cor 12, 13).

Nesses versos, São Paulo escreve que somos todos feitos do mesmo barro humano e
ao mesmo tempo animados pelo mesmo sopro de Deus, quer sejamos judeus ou gregos,
homens ou mulheres, bispos ou simples fiéis, heterônomos ou autônomos. As
mulheres que praticam o planejamento familiar são feitas do mesmo barro humano
que os bispos que as rejeitam. Não se pode dizer que o planejamento familiar
seja uma questão de fé. Se durante tantos séculos falamos em Deus em termos de
heteronomia, porque não será possível falar dele hoje em termos de autonomia? A
modernidade religiosa consiste na passagem de uma imagem antiga de Deus, herdada
da bíblia, para a imagem de um Deus que encontra sua auto-expressão no universo
em que vivemos. Não há nada de dramático nessa passagem, nada que seja
impossível. Quem vive sintonizado com o tempo de hoje compreende que todas as
energias cósmicas visualizam de maneira por vezes desconcertante (mas sempre
admirável), aquele mistério que ultrapassa nosso entendimento e a que damos o
nome Deus. Hoje é na figura de um universo em contínua gestação que se vislumbra
o rosto de Deus.

Termino este artigo citando um texto da teóloga Ivone Gebara por ocasião dos
acontecimentos de março 2009 em Recife: `Os bispos passam por cima da fé da
comunidade cristã. Eles se comportam como se fossem os únicos porta-vozes do
evangelho de Jesus e desconhecem o senso evangélico dos católicos. Eles
pretendem ser advogados de Deus, mas se tornam cismáticos em relação à
comunidade de cristãos católicos, isto é, rompem com grande parte dela em várias
situações. Esses bispos não temem em incentivar, dentro da igreja, uma guerra
santa em nome de Deus, para salvaguardar coisas que eles julgam serem vontade e
prerrogativa de Deus. Ora, a tradição teológica nunca permitiu que nenhum fiel
(mesmo bispo) falasse em nome de Deus. O sagrado mistério que atravessa tudo o
que existe é inacessível aos nossos julgamentos e interpretações. O mistério que
em tudo habita não precisa de representantes dogmáticos para defender seus
direitos. Nossa palavra é nada mais nem menos do que um balbuciar de
aproximações e de idéias mutáveis e frágeis, inclusive sobre o inefável
mistério. As comunidades cristãs, assim como as pessoas, são plurais. A
comunidade cristã é mais que a igreja hierárquica. Ela é plural, ou seja,
composta de múltiplas comunidades cristãs e estas são igualmente muitas pessoas
cada uma com sua história, suas escolhas e decisões próprias diante da vida.
Urge que a teologia dos bispos saia de uma concepção hierárquica e dualista do
cristianismo e perceba que é na vulnerabilidade às múltiplas dores humanas que
poderemos estar mais próximos das ações de justiça e amor. É claro que sempre
poderemos errar. Esta é a frágil condição humana. Creio que nossas entranhas
sentem em primeiro lugar as dores imediatas, as injustiças contra corpos
visíveis e é a eles que temos o primeiro dever de assistir. A igreja é a
humanidade que se ajuda a suportar dores, a aliviar sofrimentos e a celebrar
esperanças. De fato, um cisma histórico está se construindo e tem crescido cada
vez mais em diferentes países. A distância entre os fiéis e a hierarquia
católica é marcante. Na medida em que os que se julgam responsáveis pela igreja
se distanciam da alma do povo e de seu sofrimento real, eles estarão sendo os
construtores de um novo cisma que acentuará ainda mais o abismo entre as
instituições da religião e a vida cotidiana com sua complexidade, desafios,
dores e pequenas alegrias. As conseqüências de um cisma são imprevisíveis. Basta
aprendermos as lições da história passada’ . Permeadas de um profundo sentimento
de solidariedade com as dores das mulheres que passam pela prova do aborto, as
palavras de Ivone Gebara são modernas, feministas, autônomas. Elas merecem ser
lidas com atenção por aquelas lideranças católicas que desejam promover uma
feliz vivência humana nos dias de hoje. [i]

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=54412

[Tradução: a culpa da fragmentação na ICAR é das mulheres, apesar da autocrítica
em alguns pontos e da mea culpa no final.]

VEREADORA QUER DEBATER CAMPANHA DA ICAR EM TRIBUNA

março 15, 2011 § Deixe um comentário

VERMELHO, 14-03-2011

TRIBUNA POPULAR VAI DEBATER A CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 2011

A vereadora Lucia Antony (PCdoB) apresentou, hoje, requerimento no qual pede a
realização de uma tribuna popular, no dia 06 de abril, para debater a Campanha
da Fraternidade de 2011, da Igreja Católica, cujo tema deste ano “Fraternidade e
a Vida no Planeta”, coloca o meio ambiente como pauta.

Essa data foi escolhida para que o encontro possa contar com a presença do
arcebispo da Arquidiocese Metropolitana de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira, que
atualmente está fora da cidade, e que foi convidado para dar uma palestra no
encontro.

Lucia Antony apresentou também uma moção na qual parabeniza a Confederação
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pelo lançamento da Campanha da Fraternidade
de 2011 e pelo tema escolhido. Para a vereadora, a escolha do tema meio ambiente
é pertinente e atual, uma vez que as pessoas precisam se conscientizar cada vez
mais sobre as consequencias negativas que os danos causados à natureza tem sobre
a vida das pessoas.

“O aquecimento do planeta tem causado mudanças climáticas que resultam em
desastres naturais em várias partes do mundo. No Amazonas, temos períodos de
grande seca alternados com períodos de cheias. É preciso termos consciência do
que está ocorrendo. Por isso, considero pertinente e de grande valor a discussão
sobre o meio ambiente proposta pela Igreja Católica”, disse.

De Manaus,
Anwar Assi

[i]

http://www.vermelho.org.br/am/noticia.php?id_noticia=149487&id_secao=52

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