PADRE DIZ QUE IGREJAS ESTAO PARECENDO MOTEIS

março 30, 2011 § Deixe um comentário

PB AGORA, 28-03-2011

EX-PADRE SOUSENSE DIZ QUE IGREJAS CATÓLICAS ESTÃO PARECENDO MOTÉIS

O ex padre Lourival relatou que os católicos têm a bíblia em casa, entretanto o
livro sagrado fica aberto no salmo 90 e não sai de cima da estante.

As declarações foram feitas na noite deste domingo (27) em um culto evangélico
na Igreja Presbiteriana na cidade de Sousa, no qual ele trazia a pregação. O
reverendo disse ainda que os católicos estão cegos, e que a verdade tem que ser
revelada. ”Todos têm que saber que a igreja católica não prega a verdadeira
palavra de Deus, que é o único Salvador de acordo com a bíblia.” Relatou o
ex-padre.

Continuando a mensagem, ele falou ainda que atualmente as igrejas católicas
estão cada dia mais se assemelhando a motéis, por causa das festas que elas
realizam. ”Além de que, um dos grandes erros dos católicos é dizer que se deve
adorar imagens de esculturas, sendo que a própria bíblia diz no livro de Salmos
Capítulo 135, versos 15 “Os ídolos dos gentios são prata e ouro, obra das mãos
dos homens. 16 Têm boca, mas não falam; têm olhos, e não vêem, 17 Têm ouvidos,
mas não ouvem, nem há respiro algum nas suas bocas. 18 Semelhantes a eles se
tornem os que os fazem, e todos os que confiam neles”.

Para finalizar, Lourival disse: ”Se fosse pra eu nascer novamente, eu queria
nascer sendo evangélico. Me sinto muito feliz hoje, antes eu era cego, no
entanto enfim eu encontrei a luz, a verdadeira paz que está em Jesus Cristo.”

Centenas de pessoas compareceram ao culto na referida igreja, entre elas, tanto
os evangélicos como também católicos.

CONVERSÃO AO EVANGELHO

O ex-padre Lourival Luiz de Sousa, que mora no Núcleo II, perímetro Irrigado de
São Gonçalo, Município de Sousa, e atualmente é Diácono da Igreja Assembléia de
Deus neste município, e se entregou ao evangelho no dia 29 de abril de 2010.

A notícia da conversão ao evangelho ganhou grande repercussão na religião
católica na grande Sousa, pelo fato do ex Padre Lourival ser uma pessoa
influente no meio religioso. ”Eu não aceitava mais certas coisas erradas que a
igreja católica pratica, como adorar as imagens de esculturas, que a bíblia é
clara em relação a isso, como citei acima.” contou Lourival.

CASAMENTO COM EX-FREIRA

Diácono Luiz como é chamado hoje no meio Evangélico, começou a namorar
justamente com uma ex-freira, Irmã Maria de Fátima no dia (30/05), em um culto
realizado na Assembleia de Deus na cidade de Belém do Brejo do Cruz, Sertão da
Paraíba, onde reside à irmã Fátima como é conhecida. Após o Noivado, o casal
marcou o casamento que aconteceu nesta quinta-feira (14) no Templo da Igreja
Assembleia de Deus na Cidade de Sousa, com as presenças de convidados, amigos e
familiares.

[i]

http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20110328105604&cat=paraiba&keys=expadr
e-sousense-igrejas-catolicas-estao-parecendo-moteis

“O ruim da grande família humana é que todos querem ser o pai.”

março 17, 2011 § Deixe um comentário

mafalda: "o ruim da grande família humana é que todos querem ser o pai."

INTIMADA QUADRILHA DE EX SEMINARISTAS

março 16, 2011 § Deixe um comentário

O NORTE, 16-03-2011

EX-SEMINARISTAS SUSPEITOS DE AMEAÇAS CONTRA PADRES

Polícia Civil já intimou um dos acusados de tentar extorquir membros da Diocese
de Cajazeiras, no Sertão

Luiz Carlos lima // luizlima.pb@…

Três ex-seminaristas são os principais suspeitos de uma série de ameaças de
morte e tentativas de extorsão a pelo menos três padres da diocese de
Cajazeiras, no Sertão da Paraíba. Há cerca de dois anos, os padres vinham
sofrendo ameaças de calúnia e extorsão, que passaram a ficar mais graves,
chegando a ameaças de morte. A diocese prestou denúncia, no início da semana, ao
Ministério Público Estadual, que encaminhou o caso à Delegacia Distrital de
Cajazeiras, onde um inquérito já foi instaurado.

Umas das mais recentes ameaças dizia que 15 padres seriam mortos em um evento
católico, no mês de janeiro, e, logo após, o responsável pelo atentado cometeria
suicídio na frente de todos. De acordo com o major José Ronildo, comandante do
6º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Cajazeiras, a série de ameaças teve
início com o pedido de reingresso dos três seminaristas à arquidiocese. Com a
negativa, os ex-seminaristas pediram a quantia de R$ 50 mil para que não
divulgassem fatos supostamente ligados à vida íntima dos padres.

Um dos seminaristas, que morava em Cajazeiras, estaria morando em São Paulo. Já
os outros dois são de João Pessoa, segundo o major José Ronaildo. Os três foram
expulsos por problemas disciplinares dentro da arquidiocese. “Há suspeita de que
havia um relacionamento homossexual entre eles, um deles, inclusive, chegou a
confessar o interesse em um dos colegas”, revelou. Os três ex-seminaristas não
teriam se conformado, segundo a versão da polícia, e iniciado uma série de
ataque aos religiosos.

O inquérito está sob responsabilidade do delegado Luiz Barbosa Neto, da
Delegacia Regional de Cajazeiras. Ele recebeu o inquérito ontem e uma das
primeiras providências foi ouvir o bispo Dom José Gonzáles, responsável pela
diocese de Cajazeiras. “Recebi o inquérito às pressas e ainda não tenho maiores
informações. Vou começar a ouvir as partes para podermos chegar aos responsáveis
pela denúncia”, garantiu o delegado.

Em nota divulgada à imprensa, o bispo disse que ele e outras pessoas passaram a
receber telefonemas, e-mails e torpedos, de origem desconhecida, denegrindo o
clero e seminaristas com difamações e calúnias, em linguagem desrespeitosa,
agressiva e mesmo pornográfica. “Por fim, as mensagens passaram a conter ameaças
de todo tipo, também de morte, pessoais e até coletivas, tentando criar um clima
de terror e de chantagem, com caráter extorsivo”, dizia a nota da Diocese de
Cajazeiras.
[i]

http://www.jornalonorte.com.br/2011/03/16/diaadia4_0.php

PADRE CULPA AS MULHERES POR CISMA NA ICAR

março 15, 2011 § Deixe um comentário

ADITAL, 03-03-2011

IGREJA E MULHER: UM DIÁLOGO POSSÍVEL?

Eduardo Hoonaert
Padre casado, belga, com mais de 5O anos de Brasil, historiador e teólogo, mais
de 20 livros publicados. Mora em Salvador. Dedica-se agora ao estudo das origens
do cristianismo

1. Uma longa história

Desde os inícios, o cristianismo histórico tem tido dificuldades em compreender
o comportamento de Jesus para com as mulheres. Diversos trechos dos evangelhos
demonstram admiração, mas ao mesmo tempo deixam transparecer estranheza. Os
próprios apóstolos não entendem o modo como Jesus aborda as mulheres. Pedro, um
de seus mais próximos companheiros, não tolera que uma mulher seja considerada
apóstola em pé de igualdade com os homens, como se pode ler no evangelho
apócrifo de Maria Madalena . Por causa dessa e de outras dificuldades, o
cristianismo histórico guarda uma memória precária e até deformada acerca do
comportamento de Jesus diante das mulheres. Maria Madalena, a mais proeminente
figura feminina do novo testamento, é sistematicamente maltratada nos sermões da
igreja, até ser rebaixada à condição de prostituta e de pecadora arrependida.
Essa criminalização simboliza na realidade o rebaixamento da figura da mulher em
geral, na tradição cristã. Mas não é só a cultura cristã que desconsidera a
mulher. A maioria das culturas é igualmente preconceituosa nesse ponto e ficaria
igualmente escandalizada com Jesus, que apreciava o perfume e o afeto de uma
mulher e que insistia em que a memória da ternura de uma mulher fosse preservada
`por onde quer que o evangelho fosse proclamado’ (Mt 26, 12). Essa memória
sempre encontrou resistência no seio do cristianismo histórico, como
provavelmente encontraria na maioria das culturas.

2. Emerge uma nova consciência feminina

Após séculos de silêncio e submissão, a mulher do século XX finalmente dá sinais
de rompimento com o passado. No âmbito católico, é na década de 1940 que
aparecem os primeiros indícios discretos de que algo está mudando no universo
feminino: as mães não mandam mais seus filhos à missa dominical com a fidelidade
de antes. Isso repercute imediatamente na igreja, mas quase ninguém percebe o
que está acontecendo. Quando, em 1943, o padre Henri Godin, em seu livro
‘França, país de missão?’, constata com amargura que a França não é mais o
país católico de antes, ele não suspeita que a mulher tenha a ver com essa
`descristianização’. O mesmo acontece com o sociólogo Gabriel Le Bras, que
atribui o declínio na assistência à missa ao estilo de vida na grande cidade, à
perda de fé e à secularização. Mas não fala da mulher. E quando, nos anos 1960,
se constata um rápido declínio de vocações para o sacerdócio, também não se
enxerga nisso a mutação na relação do vocacionado com sua mãe. Os primeiros
estudos que apontam nessa direção são dos anos 1990 . É no silêncio do universo
feminino que se opera a desconstrução da igreja.

Mas no início dos anos 1960, no momento em que o papa João XXIII pensa em
convocar um concílio, a `desobediência’ feminina de repente ganha notoriedade: a
pílula anticoncepcional oral entra em cena e seu sucesso é imediato. A mulher
verifica que os ritmos das energias procriativas de seu corpo, se não forem
controlados, dificultam a qualidade de vida a que ela e sua família aspiram. Os
ciclos sempre repetidos da gravidez, do nascimento da criança, dos longos tempos
dedicados ao recém-nascido, dos trabalhos na casa, da preparação dos alimentos,
dos cuidados como o marido não deixam espaço para que ela se desenvolva
plenamente, em contraste com o que acontece ao homem que, depois do ato sexual,
fica `liberado’. Permitida nos Estados Unidos em 1960, a pílula conquista o
mundo em poucos anos. O sucesso já dura 50 anos. Hoje, no mundo inteiro, cem
milhões de mulheres recorrem à pílula ou a outros métodos contraceptivos
(camisinha, dispositivo intra-uterino, diafragma, diversos produtos
espermicidas). A Organização das Nações Unidas (ONU) aprova oficialmente o
planejamento familiar e declara que ele colabora com a saúde e o bem-estar da
mulher, dos filhos e da família (conferência do Cairo, 1994). Estamos diante da
emergência de um pensamento autônomo, em contraste com o pensamento heterônomo
até então vigente. Elabora-se uma nova arquitetura do estado com a finalidade de
promover saúde, educação, bem-estar das famílias, assim como atendimento
médico-hospitalar baseado na idéia da regulamentação dos nascimentos. `Eis uma
revolução de dimensões planetárias’, realça Rose Marie Muraro . A idéia do
planejamento familiar é uma idéia genuinamente feminina que põe em movimento a
maior revolução do século XX, uma revolução silenciosa que se processa na
intimidade das residências privadas, no diálogo íntimo entre homem e mulher,
longe dos púlpitos clericais, das cátedras doutorais e dos foros públicos. Ao
controlar a fertilidade, a pílula faz com que a mulher possa entrar no mercado
de trabalho ao lado do homem. Doravante, seu corpo não pertence mais à
fatalidade dos ciclos da procriação e se liberta aos poucos da vontade do homem.
A pílula inaugura um tempo novo, não só para a mulher, mas para a sociedade como
um todo. As relações de gênero e trabalho se transformam em profundidade.
Entusiasmada, Rose Marie Muraro opina que com a pílula `o mundo se torna melhor.
Quando dominado pelo homem, o mundo é hierarquizado. Mas ele se estabelece em
rede quando a mulher entra em cena’.

Uma vez que na mesma época se inicia o concílio Vaticano II, vale a pena se
perguntar se há interação entre ambas as iniciativas. O movimento em prol da
libertação do corpo feminino tem algo a ver com o `aggiornamento’ do papa João
XXIII? Será que os bispos reunidos em Roma tomam conhecimento do que está
acontecendo no universo feminino e procuram entrar em diálogo com as mulheres?

3. Porque o Vaticano II desconhece a mulher?

Sabemos que mulheres não são convidadas a falar em concílios ecumênicos. Mas
elas interferem, isso sim, nos destinos dos concílios. Enquanto os bispos do
Vaticano II tentam compreender as razões da `descristianização’, elas atuam na
base, desatando laços seculares e desse modo esvaziando as igrejas. Enquanto os
teólogos falam em secularização, ateísmo, consumismo, individualismo ou
hedonismo, elas introduzem comportamentos autônomos no seio do velho mundo,
marcado por séculos de heteronomia. Decerto, o papa João XXIII sabia que as
igrejas estavam ficando vazias em Paris, onde ele foi núncio. Seu diagnóstico de
que havia desencontro entre igreja e mundo moderno estava certo. O que lhe
faltava era ir ao âmago da questão. Desse modo, o Vaticano II certamente fez um
bom trabalho, como realça José Oscar Beozzo, mas não conseguiu identificar com
clareza a ideologia heterônoma que caracteriza a igreja.

É de se compreender a razão. O universo imaginário da igreja cristã provém em
última análise da bíblia, elaborada num mundo dominado por estruturas
heterônomas. O rei (o imperador) manda no povo, o senhor manda no escravo
(trabalhador), o homem manda na mulher, o pai manda nos filhos e Deus manda em
todos (e todas). A vida toda é concebida em termos de heteronomia: há sempre um
`outro’ que manda. A vida humana está sempre em mãos alheias. A heteronomia
constitui o mais antigo e durável modelo de convivência humana, que caracteriza
regimes políticos, econômicos, sociais, culturais e psicológicos. Na bíblia,
Deus aparece como um ser todo-poderoso, santíssimo, sentado no trono celeste.
Ele criou o universo em poucos dias e até hoje governa sua criação da mesma
forma que um rei persa controla seus imensos territórios, guarda tudo que
acontece numa memória infinita (melhor que a memória do computador mais potente)
e julga tudo como o mais justo dos juizes. Ele premia o bem e castiga o mal, às
vezes aqui na terra, mas certamente após a morte, na vida eterna. Deus por vezes
aparece como senhor rigoroso e justo, outras vezes como pai amoroso que perdoa
tudo. Mas sempre fica fora do mundo em que vivemos. Nos dois primeiros versos da
bíblia aparece uma imagem nitidamente heterônoma de Deus: de um lado a luz, o
sopro, a vida, do outro lado o vazio, a solidão, a escuridão e a morte:

Primeiras palavras:
Deus cria o céu e a terra,
Terra vazia, solidão,
Escuro em cima do abismo
Sopro de Deus
Movimentos sob as águas (Gn 1, 1-2).

Admitamos que os estudiosos da bíblia procuram desprender-se da imagem de Deus
como a que aparece no texto citado do livro Gênesis. No entanto, a idéia
heterônoma está tão enraizada no subconsciente das pessoas e da instituição que
só em raros casos ela chega à consciência. Mas a história avança. Decisiva foi,
no plano político, a passagem para regimes democráticos e autônomos que se
processou nos últimos 200 anos. Mas foi no plano científico que a idéia da
autonomia fez seus maiores progressos. Cada vez mais, os cientistas descobrem
que o mundo é auto-regulamentado, baseado em leis marcadas por uma lógica
interna. Não há mais necessidade de milagres `fora das leis naturais’, pois a
cada momento o milagre está aí, diante dos olhos e dentro do corpo. Outro avanço
é a `reviravolta lingüística’ que hoje dinamiza uma nova maneira de se falar em
Deus e nas coisas divinas.

4. A mulher e o bispo

A estas alturas é bom averiguar o que é realmente novo no comportamento da
mulher que pratica o planejamento familiar. O novo consiste no fato de que ela
não age mais impelida por uma vontade alheia, mas a partir de uma vontade
própria. Ela está sintonizada com o pensamento moderno, que acredita na
auto-regulamentação das leis que regem o universo. A percepção sempre mais clara
da regularidade das leis internas do universo resulta em atitudes de autonomia.
Em conseqüência disso, a mulher inicia um novo relacionamento com seu próprio
corpo. Verificando que seu corpo responde a determinados estímulos químicos
capazes de inibir a gravidez, por exemplo, ela adquire aos poucos e quase
imperceptivelmente um comportamento autônomo: `O axioma da autonomia está
penetrando lentamente e quase sempre de modo inconsciente em toda a cultura
ocidental’ . Ao programar a sua família, a mulher mexe com as estruturas da
sociedade e do instituto religioso. Mais: ao lutar por uma família que desfrute
de uma melhor qualidade de vida graças à regulamentação dos nascimentos, a
mulher mexe com a própria imagem de Deus. Ela esboça uma nova imagem de Deus,
mais condizente com as leis da autonomia. Os progressos científicos a favor da
vida revelam o santo mistério chamado Deus. Para essa mulher, o Deus
eclesiástico vai se diluindo no horizonte enquanto emerge um Deus que
corresponde às leis internas e autônomas do universo e da humanidade. Para ela,
o que colabora para uma melhor condição de vida é santo. Na medida em que torna
o mundo mais feliz, a pílula anticoncepcional é santa. Então, a mulher
emancipada questiona a igreja, como se pode verificar por toda parte.

Para os bispos, a passagem do pensamento heterônomo para o pensamento autônomo é
bem mais complicada. Mesmo os que estão pessoalmente abertos à mudança dos
tempos permanecem enquadrados numa estrutura fundamentada na heteronomia. Isso
se verifica nas renovadas `guerras santas’ em torno da questão do aborto.
Tomemos o caso paradigmático de Recife março 2009. Quando ocorreu numa clínica
da cidade a interrupção da gravidez de uma menina de nove anos, Dom José Cardoso
Sobrinho, na época arcebispo da cidade, prontamente excomungou os médicos que
praticaram o aborto na menina. Ele justificou seu comportamento dizendo que
estava seguindo as leis da igreja. Desse modo, o bispo recorreu à idéia da
heteronomia. A igreja declara estar `a favor da vida’, contra `o cultivo da
morte’, mas não sabe como lidar com casos concretos relacionados com aborto.
Decerto, o bispo recomendou compaixão com a menina abusada pelo padrasto, mas
não tinha nada a declarar acerca da existência de centenas de clínicas
clandestinas de aborto no Brasil, que vitimam cada ano milhares de mulheres. Ele
recomendou compreensão e preces pelas pobres mulheres que recorrem a tais
clínicas, mas não podia ir além, pois as questões concretas que envolvem aborto
só podem ser resolvidas por meio de ações baseadas no princípio da autonomia. A
sociedade tem de se mostrar capaz de enfrentar com realismo os problemas que se
lhe apresentam. Não basta dizer às mulheres que desejam abortar que elas têm de
se entregar `às mãos de Deus’ e obedecer aos desígnios divinos. Dom José até
pode sonhar com uma igreja santa no meio da devassidão do mundo e dos erros do
século, uma cidadela de Deus, como aquela descrita por Santo Agostinho em sua
obra `A Cidade de Deus’. Mas esse sonho não corresponde à realidade. O postulado
da santidade da igreja é uma elaboração teológica do século IV, baseada na
aproximação da igreja daquele tempo com o sistema imperial romano e nos métodos
utilizados para impressionar as pessoas. Mesmo assim, a imagem de uma igreja
santa, intocável e inquestionável ainda se mantém tão poderosa nos nossos dias
que é capaz de seduzir bispos e mesmo o papa. Em suma, atitudes como as de Dom
José Cardoso criam inutilmente curtos circuitos que dificultam a passagem do
pensamento cristão para o mundo em que vivemos.

5. Como sair do curto circuito?

Para a igreja, não é fácil abandonar o universo imaginário da heteronomia. Mesmo
os textos mais inovadores do concílio Vaticano II ainda são formulados por meio
de imagens herdadas do passado bíblico, sem a devida leitura crítica. Hoje não
existe caminho fora do diálogo com a modernidade. Habilitar-se para tal diálogo
implica, em primeiro lugar, numa atitude de autocrítica. Durante longos séculos,
a igreja católica dominou a cultura ocidental e ficou intocável. Apenas
cinqüenta anos atrás, na abertura do Vaticano II, o domínio do pensamento
católico sobre as consciências ainda era tão poderoso que criticar um
representante da igreja católica era quase o mesmo que criticar o próprio Deus.
A igreja se julgava superior a todas as demais organizações. Mas, recentemente,
quando apareceu a pedofilia praticada por padres, percebeu-se que a igreja não é
tão santa como o papa e os bispos desejariam que fosse. Os padres são humanos
(por vezes demasiadamente humanos), feitos de uma matéria comum a todos os seres
humanos. Diante da pedofilia, por exemplo, a mentalidade moderna não suporta
mais os métodos de intimidação, ocultamento e manipulação que ainda eram aceitos
por nossos pais e avós num passado não tão distante. Nossa percepção do que seja
uma sociedade democrática, igualitária e justa vai se aperfeiçoando e um número
crescente de pessoas acha que não há nada mais louvável que uma sociedade que
caminhe para a democracia e a liberdade. Todos os cidadãos estão sujeitos à lei,
nenhuma instituição está acima da lei civil.

Em segundo lugar, não é bom dramatizar nem exacerbar os sentimentos. Palavras de
guerra como `mentalidade medieval’, `obscurantismo’, `fanatismo’ (de um lado) e
`ateísmo’, `agnosticismo’, `abandono da fé’ (de outro lado) só atrasam o
processo. Lançam-se farpas de ambos os lados, o que não leva a nada. Só por meio
de estudos serenos e da percepção das verdadeiras dimensões do problema é que se
pode avançar. Pensar com liberdade não significa abandonar a fé. Não falar mais
em reis e rainhas, senhores e santidades, tronos e potestades não significa
trair o evangelho. Acompanhar a evolução das ciências, da política e da
sociedade de hoje não é o mesmo que deixar de ser cristão. São Paulo não deixou
de ser judeu quando escreveu

Sim, todos fomos imersos
Num sopro único
Num corpo único
Judeus ou gregos
Escravos ou livres
E todos vivemos animados
Por um sopro único (1Cor 12, 13).

Nesses versos, São Paulo escreve que somos todos feitos do mesmo barro humano e
ao mesmo tempo animados pelo mesmo sopro de Deus, quer sejamos judeus ou gregos,
homens ou mulheres, bispos ou simples fiéis, heterônomos ou autônomos. As
mulheres que praticam o planejamento familiar são feitas do mesmo barro humano
que os bispos que as rejeitam. Não se pode dizer que o planejamento familiar
seja uma questão de fé. Se durante tantos séculos falamos em Deus em termos de
heteronomia, porque não será possível falar dele hoje em termos de autonomia? A
modernidade religiosa consiste na passagem de uma imagem antiga de Deus, herdada
da bíblia, para a imagem de um Deus que encontra sua auto-expressão no universo
em que vivemos. Não há nada de dramático nessa passagem, nada que seja
impossível. Quem vive sintonizado com o tempo de hoje compreende que todas as
energias cósmicas visualizam de maneira por vezes desconcertante (mas sempre
admirável), aquele mistério que ultrapassa nosso entendimento e a que damos o
nome Deus. Hoje é na figura de um universo em contínua gestação que se vislumbra
o rosto de Deus.

Termino este artigo citando um texto da teóloga Ivone Gebara por ocasião dos
acontecimentos de março 2009 em Recife: `Os bispos passam por cima da fé da
comunidade cristã. Eles se comportam como se fossem os únicos porta-vozes do
evangelho de Jesus e desconhecem o senso evangélico dos católicos. Eles
pretendem ser advogados de Deus, mas se tornam cismáticos em relação à
comunidade de cristãos católicos, isto é, rompem com grande parte dela em várias
situações. Esses bispos não temem em incentivar, dentro da igreja, uma guerra
santa em nome de Deus, para salvaguardar coisas que eles julgam serem vontade e
prerrogativa de Deus. Ora, a tradição teológica nunca permitiu que nenhum fiel
(mesmo bispo) falasse em nome de Deus. O sagrado mistério que atravessa tudo o
que existe é inacessível aos nossos julgamentos e interpretações. O mistério que
em tudo habita não precisa de representantes dogmáticos para defender seus
direitos. Nossa palavra é nada mais nem menos do que um balbuciar de
aproximações e de idéias mutáveis e frágeis, inclusive sobre o inefável
mistério. As comunidades cristãs, assim como as pessoas, são plurais. A
comunidade cristã é mais que a igreja hierárquica. Ela é plural, ou seja,
composta de múltiplas comunidades cristãs e estas são igualmente muitas pessoas
cada uma com sua história, suas escolhas e decisões próprias diante da vida.
Urge que a teologia dos bispos saia de uma concepção hierárquica e dualista do
cristianismo e perceba que é na vulnerabilidade às múltiplas dores humanas que
poderemos estar mais próximos das ações de justiça e amor. É claro que sempre
poderemos errar. Esta é a frágil condição humana. Creio que nossas entranhas
sentem em primeiro lugar as dores imediatas, as injustiças contra corpos
visíveis e é a eles que temos o primeiro dever de assistir. A igreja é a
humanidade que se ajuda a suportar dores, a aliviar sofrimentos e a celebrar
esperanças. De fato, um cisma histórico está se construindo e tem crescido cada
vez mais em diferentes países. A distância entre os fiéis e a hierarquia
católica é marcante. Na medida em que os que se julgam responsáveis pela igreja
se distanciam da alma do povo e de seu sofrimento real, eles estarão sendo os
construtores de um novo cisma que acentuará ainda mais o abismo entre as
instituições da religião e a vida cotidiana com sua complexidade, desafios,
dores e pequenas alegrias. As conseqüências de um cisma são imprevisíveis. Basta
aprendermos as lições da história passada’ . Permeadas de um profundo sentimento
de solidariedade com as dores das mulheres que passam pela prova do aborto, as
palavras de Ivone Gebara são modernas, feministas, autônomas. Elas merecem ser
lidas com atenção por aquelas lideranças católicas que desejam promover uma
feliz vivência humana nos dias de hoje. [i]

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=54412

[Tradução: a culpa da fragmentação na ICAR é das mulheres, apesar da autocrítica
em alguns pontos e da mea culpa no final.]

EUA: AUMENTA O NUMERO DE CASOS DE ESCANDALOS COM PADRES

março 5, 2011 § Deixe um comentário

NEW YORK TIMES, 04-03-2011

NA FILADÉLFIA, NOVOS CASOS DE ESCÂNDALOS COM PADRES

In Philadelphia, New Cases Loom in Priest Scandal

Jessica Kourkounis for The New York Times
Gina Maisto Smith, an ex-prosecutor, has been hired by the archdiocese to
examine procedures.
By KATHARINE Q. SEELYE

PHILADELPHIA — Three weeks after a scathing grand jury report said the
Archdiocese of Philadelphia had provided safe haven to as many as 37 priests who
were credibly accused of sexual abuse or inappropriate behavior toward minors,
most of those priests remain active in the ministry.

The possibility that even one predatory priest, not to mention three dozen,
might still be serving in parishes — “on duty in the archdiocese today, with
open access to new young prey,” as the grand jury put it — has unnerved many
Roman Catholics here and sent the church reeling in the latest and one of the
most damning episodes in the American church since it became engulfed in the
sexual abuse scandal nearly a decade ago.

The situation in Philadelphia is “Boston reborn,” said David J. O’Brien, who
teaches Catholic history at the University of Dayton. The Boston Archdiocese was
engulfed in a scandal starting in 2002 involving widespread sexual abuse by
priests and an extensive cover-up that reached as high as the cardinal.

Some parishioners say they feel discouraged and are caught in a wave of anxiety,
even as they continue to attend Mass.

“It’s a tough day to be a faith-filled Catholic,” Maria Shultz, 43, a secretary
at Immaculata University, said after Mass last weekend at St. Joseph’s Church in
suburban Downingtown.

But Mrs. Shultz, who has four daughters, expressed no doubt about how the church
should deal with the 37 priests. “They should be removed immediately,” she said.

The church has not explained directly why these priests, most of whom were not
publicly identified, are still active, though it is under intense pressure to do
so. Cardinal Justin Rigali initially said there were no active priests with
substantiated allegations against them, but six days later, he placed three of
the priests, whose activities had been described in detail by the grand jury, on
administrative leave.

He also hired an outside lawyer, Gina Maisto Smith, a former assistant district
attorney who prosecuted child sexual assault cases for 15 years, to re-examine
all cases involving priests in active ministry and review the procedures
employed by the archdiocese.

“There is a tremendous sense of urgency here,” Mrs. Smith said in an interview
this week at the archdiocese, where she said she and a team had been working
around the clock, without interference from the church hierarchy. “They’ve given
me the freedom and the independence to conduct a thorough review,” she said,
with “unfettered access to files.”

She added that announcements about her initial review would be coming “sooner
rather than later.”

“The urgency is to respond to that concern over the 37, what that means, how
that number was derived and what to do in response to it,” she said.

Philadelphia is unusual in that the archdiocese has been the subject of not one
but two grand jury reports. The first, in 2005, found credible accusations of
abuse by 63 priests, whose activities had been covered up by the church. But
there were no indictments, mainly because the statute of limitations had
expired.

This time, the climate is different.

When the grand jury issued its report on Feb. 10, the district attorney
immediately indicted two priests, Charles Engelhardt and James Brennan; a
parochial school teacher, Bernard Shero; and a man who had left the priesthood,
Edward Avery, on charges of rape or assault. All four are due in court on March
14. He also indicted Msgr. William Lynn on charges of endangering the welfare of
children — the first time a senior church official has been charged with
covering up abuse in the sex scandal in the United States.

When the archdiocese learns of reports of sexual abuse, it is now supposed to
report them to the district attorney, which is what led to the most recent grand
jury investigation. Extensions on the statute of limitations also made
prosecutions possible this time.

But even with these changes, some were surprised to see the grand jury paint a
picture of a church where serious problems still festered.

“The thing that is significant about Philadelphia is the assumption that the
authorities had made changes and the system had been fixed,” said Terence
McKiernan, the president of BishopAccountability.org, which archives documents
from the abuse scandal in dioceses across the country. “But the headline is that
in Philadelphia, the system is still broke.”

The grand jury said 20 of the active priests were accused of sexual abuse and 17
others were accused of “inappropriate behavior with minors.”

In response, Cardinal Rigali issued a statement the day of the report, saying,
“I assure all the faithful that there are no archdiocesan priests in ministry
today who have an admitted or established allegation of sexual abuse of a minor
against them.”

The phrasing spoke directly to the church’s policy of “zero tolerance” of
priests who sexually abuse minors. If any active priests have such allegations
against them, the policy calls for their suspension until the charges are
resolved.

Still, six days later, he placed three priests on administrative leave — a tacit
acknowledgment that perhaps there were priests facing such accusations.

The uncertain fate of the 37 active priests, whose names the archdiocese turned
over to the district attorney, all but guarantees a continuing spectacle here.
So do the indictments, a flurry of civil suits against church officials, victims
who continue to step forward and the potential for courtroom drama.

Three weeks into the scandal, the archdiocese said it was not clear how much the
revelations had hurt attendance at Mass and donations. Daniel E. Thomas, an
auxiliary bishop of Philadelphia, said he had heard both sides: some
parishioners were attending church more to pray for the victims and “the good
priests, the faithful priests,” and some have told him, “We’re angry, we’re
confused and we’re distressed.”

He also said that some priests had told him that donations were not down but
that he was aware of “at least a few people who have said, `I’m not going to be
giving to the church’ ” and that some were not fulfilling their pledges to give
to the church’s capital campaign. He said money for the capital campaign goes
specifically to help the church fulfill its charitable mission; it cannot go
toward the defense of priests or legal fees, he said, and so only the poor, the
sick and the needy would suffer if those donations dried up. [i]

http://www.nytimes.com/2011/03/05/us/05church.html?_r=3&partner=rss&emc=rss

CRM ACUSA PADRE DE CHARLATAO MAS JUIZ DIZ QUE NAO

março 1, 2011 § Deixe um comentário

POCONÉ ONLINE, 28-02-2011

MESMO CRITICADA PELO CRM, BIOSAÚDE AINDA CONQUISTA ADEPTOS

Por Glaucia Colognesi

Nesta semana mais uma vez o padre jesuíta, Renato Barth, esteve nos noticiários
locais e nacionais. Ele é acusado de charlatanismo e curandeirismo pelo Conselho
Regional de Medicina. Barth é um dos terapeutas do BioSaúde, uma forma de
medicina alternativa que trata os doentes com chás naturais, argila e até mesmo
urina.

Embora o CRM acuse Barth de exercício ilegal da medicina e coloque em xeque a
eficácia do tratamento alternativo, adeptos do BioSaúde confirmam que o
tratamento trouxe resultados positivos. Esse foi o caso da professora Gildete
Lima Parreira. Ela conta que quando procurou o BioSaúde, localizado no bairro
Novo Paraíso II, em Cuiabá, encontrou a solução para as freqüentes infecções de
garganta que sempre tinha. “Ele me passou uma dieta e vários chás para que eu
tomasse. Desde que fiz esse tratamento minha garganta nunca mais inflamou”.

Gildete conta que tem amigos de profissão que também procuraram o tratamento
alternativo e não se decepcionaram com os resultados. Contudo, o Conselho
Regional de Medicina denunciou no final do ano passado, que muitas pessoas
estavam deixando de lado o tratamento convencional e se apegando apenas ao
alternativo. Foi daí que o CRM ingressou com um processo no Juizado Especial
Unificado Criminal de Cuiabá contra o padre Barth.

A última audiência, que aconteceria no dia 24 de fevereiro, foi desmarcada pelo
juiz Mário Kono. De acordo com o advogado de Barthy, Vilson Nery, o juiz não
aceitou o processo por entender que a prática adotada pelo padre não configura
crime.

Eficaz ou não, o tratamento tem conquistado adeptos no país inteiro. Conforme
dados da Associação Brasileira de Saúde Popular (Abrasp), hoje existem 600 mil
terapeutas do BioSaúde no Brasil, que atendem mensalmente 30 milhões de pessoas.
Somente em Mato Grosso existem quatro Centros do BioSaúde, sendo um deles em
Cuiabá.

Nesta segunda-feira (28) a Rádio CBN Cuiabá – AM 590, a partir das 8 horas, vai
fazer um debate sobre esse assunto com representantes do CRM e também com o
advogado do padre jesuíta.

Michely Figueiredo PnB Online

[i]

http://www.poconeonline.com/materias.php?subcategoriaId=3&id=15079&

[O conselho federal de medicina diz que o padre pratica charlatanismo e
curandeirismo mas o juiz disse que tal prática não configura crime. E agora?]

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