FAMILIA EVANGELICA DESAPARECE EM DIADEMA POR FANATISMO

março 30, 2011 § Deixe um comentário

DIÁRIO DO GRANDE ABC, 28-03-2011

FAMÍLIA EVANGÉLICA DE DIADEMA DESAPARECE

Henrique Munhos e Marília Montich

Uma família do Jardim Campanário, em Diadema, desapareceu no último dia 14.
Conhecidos entre amigos e parentes pelo fanatismo religioso, Pedro José Dias, a
esposa Antonia Aparecida Gomes e os dois filhos, Henrique Gomes Dias e Thais
Gomes Dias, teriam rasgado dinheiro e cortado todos os documentos antes de
partir.

De acordo com o depoimento de um amigo que preferiu não se identificar, o
comportamento de Pedro se modificou há cerca de seis meses, depois que mudou de
religião e teve acesso a um DVD sobre o fim dos tempos. “Convencido pelo irmão,
Pedro se tornou evangélico e passou a frequentar cultos na Praça da Sé,” conta.
O irmão citado pelo amigo de Pedro é José Dias, que também está desaparecido.

O amigo também contou que Pedro e José não frequentavam nenhuma igreja
específica, “pois a Bíblia diz que Jesus não pertencia a nenhum templo”. O amigo
disse ter participado de duas reuniões na casa de José Dias, apenas por
curiosidade, mas não sabe definir ao certo a religião. “Eles pregavam muito o
apocalipse. Afirmavam a todo o momento que o fim estava próximo e iram se salvar
somente os que largassem tudo”, afirmou.

Aparecido Gomes, irmão de Antonia, conta que ele e sua esposa foram os últimos a
ver a família. “Tentamos convencê-los a não irem embora, mas minha sobrinha
dizia para deixarmos o grupo seguir seu rumo”, afirma. “Eles estavam fanáticos,
principalmente o meu cunhado. Não faço a ideia do que pode ter acontecido.”

Gomes disse ainda que, segundo eles, o arrabatamento aconteceria no dia 14, às
14h, e que, antes de partirem, a irmã, o cunhado e os sobrinhos realizaram uma
ceia. “Minha sobrinha mais velha, que não seguiu o resto da família, falou que,
na ocasião, eles até tomaram um líquido, algo como um chá ou água benta.”

Cunhada de Pedro José Dias, Maria de Oliveira também relatou que o comportamento
do cunhado se alterou nos últimos meses. “Ele era uma pessoa muito boa, além de
ser um grande pai de família. Porém, esse fanatismo alterou muito seu jeito de
ser,” declarou.

[i]

http://www.dgabc.com.br/News/5875449/familia-evangelica-de-diadema-esta-desapare
cida-ha-duas-semanas.aspx

COMO FUNCIONA O COMERCIO DO ESOTERISMO EM SAO PAULO?

março 18, 2011 § Deixe um comentário

COMO SÃO AS CONSULTAS DE AMARRAÇÃO DO AMOR

Época São Paulo visitou locais onde pais e mães de santo oferecem o serviço
por Luiz Felipe Orlando
Anúncios de amarração do amor desafiam a Lei Cidade Limpa
Mesmo proibidos pela Lei Cidade Limpa, a publicidade afixada em postes ainda faz
parte do cenário de São Paulo. Um dos anúncios mais comuns é o de pais e mães de
santo que prometem trazer a pessoa amada de volta. Para conhecer mais sobre esse
tipo de serviço, Época São Paulo marcou consultas com alguns desses
profissionais da amarração do amor.

O primeiro telefonema foi para o Pai Guerreiro. Sobre a eficácia do método, a
secretária foi taxativa: “Claro que funciona, quando as coisas não vem por bem,
a gente tem de fazer vir por mal”. O preço da consulta, feita com búzios ou
tarô, era de R$ 20. A amarração, que prometia trazer o amado de volta, sairia
por R$ 200. A casa fica em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Ao lado de um
carro da Mercedes Bens estacionada na garagem, um homem de camisa e calça
sociais recebe a reportagem e avisa que a consulta será realizada em outra casa,
duas ruas acima. Depois da espera em uma confortável sala de estar, ele pede
para ser seguido até um cômodo apertado e empoeirado nos fundos da casa, com uma
estátua do preto velho na entrada e imagens de santos no interior.

Uma mãe de santo vestindo avental de médico pergunta o nome completo, a
profissão e pede que o celular e os óculos sejam deixados de lado, para evitar
que “as energias se cruzem com as entidades”. Em seguida, começa a falar sobre a
vida do cliente enquanto tira as cartas. Segunda ela, a menina desejada estaria
indiferente porque alguém já teria feito uma amarração para ela que duraria 14
anos.

Segundo a consultora espiritual de Pinheiros que atende na casa do Pai
Guerreiro, o trabalho de “amarração” da ex-namorada teria custado R$ 7 mil.
Portanto ela cobraria R$ 3 mil para desfazer o serviço para sempre – um preço
módico para ter o amor da vida de volta. Mas o “para sempre” depende da vontade
do cliente: “Quando você não quiser que ela goste mais de você, eu desfaço o
trabalho, sem cobrar”.

Para fazer a amarração, além de dinheiro, é necessário levar uma foto da garota,
com os nomes do futuro casal escritos no verso, dentro de um coração. Além
disso, a consultora espiritual pede garrafas de uísque doze anos e champanhe
importada. Sob o argumento de que o valor era alto, ela afirma: “Não tem
problema, nós aceitamos cartão, posso parcelar para você”.

Escritório esotérico

Pai Léo trabalha com búzios, tarô e baralho cigano no Centro da cidade
O Pai Leo, outro pai de santo, atende no centro da cidade, em um conjunto
comercial na rua Barão de Itapetininga. A recepção de seu escritório esotérico
tem de tudo, de painéis indianos a imagens de orixás, passando por uma televisão
de plasma e aranhas de plástico. Ele tem 36 anos e atende cerca de 10 pessoas
por dia quando o movimento está bom. A consulta de búzios, tarô e baralho cigano
custa R$ 35 reais. “Eu não faço amarração, isso é coisa para tirar dinheiro dos
outros, se pudesse, nem cobraria pela consulta”, diz. O que o Pai Leo faz,
segundo ele, é um “trabalho de purificação”.

Escritório esotérico de Pai Leo tem de painéis indianos a imagens de orixás
“Não faço trabalhos para o mal”, afirma, “meu serviço é ajudar as pessoas a
ressarcirem a natureza das coisas que tiram dela para sobreviver”. De acordo com
o vidente, as oferendas são feitas na cachoeira, junto com o cliente, e incluem
só coisas vivas, como peixes, mudas de árvore e frutas. “Dependendo do tipo do
trabalho, as coisas precisam ser de qualidade melhor, como salmão e figos”, diz.
No final, se o cliente quiser, ele pode dar um presente para o Pai Leo. “Já
ganhei até carro.” Depois da consulta, ele pede para divulgar o seu site:
http://www.reidosvidentes.com.br.

Protocolos diferentes
Em um outro endereço, na zona sul da cidade, a consulta era mais cara: R$ 50. A
amarração não seria cobrada, mas só seria feita se o interessado fosse
predestinado à mulher desejada. Depois de cinco minutos de jogo, o resultado foi
categórico: ela não faria a amarração, não adiantava insistir. Quando perguntada
sobre o altar com imagens e terços, ela pediu para que não chegasse muito perto
para não cruzar as energias.

Próximo à Santa Cecília, uma outra taróloga parece afeita ao faça você mesmo:
“não fazemos amarração, nós ensinamos o cliente a fazer”, diz. Ela não pôde ser
entrevistada porque não tinha autorização de seus guias espirituais. “O que
acontece aqui é muito íntimo para os clientes. Quem nos procura já passou muitas
vezes por médicos e psicólogos”, afirma.

A prática de jogos de adivinhação, como o tarô, o baralho e os búzios, estão
fortemente ligados ao candomblé e umbanda, religiões de influência africana. “Os
jogos servem para falar do destino pessoal de cada um”, explica Brígida
Malandrino, doutora em Ciências da Religião pela PUC.

“Muitos dos que anunciam serviços de ‘amarração do amor’ não praticam a religião
do candomblé e da umbanda de forma institucionalizada”, afirma Malandrino. Mas
existem pessoas que conciliam as duas coisas: vão ao terreiro e atendem
individualmente. “É como se dizer católico, por exemplo, e não respeitar todos
os dogmas da Igreja”, diz. [i]

http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/0,,EMI216421-17276,00.html

DEPOIMENTO DE CARDEAL SCHERER NO TRF DE SP A FAVOR DE CRUCIFIXO

março 16, 2011 § Deixe um comentário

ÉPOCA, 15-03-2011

DOM ODILO DEPÕE NA JUSTIÇA FEDERAL A FAVOR DOS CRUCIFIXOS EM ÓRGÃOS PÚBLICOS

REDAÇÃO ÉPOCA JUSTIÇA TAGS: CRUCIFIXO, DOM ODILO SCHERER, ESTADO LAICO

O cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, prestou depoimento no
Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo para defender a manutenção de
símbolos religiosos em repartições públicas. Seu depoimento foi no último dia 3,
uma quinta feira, no prédio da instituição. Dom Odilo foi convocado como
testemunha numa ação civil pública que, em nome do Estado laico, pede a retirada
dos símbolos religiosos de todos os prédios públicos federais de São Paulo. Na
maioria dos casos, são crucifixos expostos em locais nobres, como plenários, ou
em áreas de atendimento ao público, como salas de espera ou saguões de entrada.
Dom Odilo é a mais alta autoridade católica do país a falar publicamente sobre o
assunto. Diante do juiz Ricardo Geraldo Rezende Silveira, disse que “o fato de a
maioria da população ser católica, culturalmente, justifica a presença desses
símbolos cristãos”.

O processo é movido pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em
atendimento ao pedido do engenheiro Daniel Sottomaior Pereira, que é ateu e diz
que se sente ofendido com a presença de um crucifixo numa das paredes do
Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo. No plenário do próprio TRF, onde
corre o processo, há uma peça desse tipo. A ação foi pedida como liminar. Se for
concedida pela Justiça, a União terá um prazo de 120 dias para retirar todos os
símbolos religiosos de suas repartições no Estado.

Em seu depoimento, Dom Odilo disse não acreditar que um determinado símbolo
religioso possa ser ofensivo a quem não professa aquela fé. Apesar disso,
reconheceu que a presença de um símbolo muçulmano em um hipotético julgamento
“poderia causar preocupação em virtude da inexistência de uma tradição muçulmana
no Brasil”.

O cardeal afirmou que o povo brasileiro recebeu formação cultural católica
durante a colônia até o fim do Império e lembrou de um acordo que determinava o
catolicismo como religião oficial do Estado. Para ele, essa tradição explica e
justifica a presença de crucifixos em repartições públicas até hoje. Dom Odilo
disse ainda que acha legítimo o Estado custear a manutenção dos símbolos
religiosos em suas repartições “em respeito aos anseios dos representados”.

O procurador dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias, responsável pela
ação, não concorda com as opiniões de Dom Odilo: “A presença desses símbolos
nesses locais demonstra que o Estado estabelece preferências entre credos e
crenças, privilegiando uns e ignorando os demais. Também não concordo com o
argumento da tradição, porque podemos usá-la para justificar qualquer fato na
história”, disse.

Discussões como esta ocorrem em outros estados brasileiros. O Rio de Janeiro já
retirou símbolos de instituições públicas. Pernambuco, assim como São Paulo,
está em processo de discussão.

Segundo o procurador, é provável que a decisão do caso termine só no Supremo
Tribunal Federal. “Ainda temos uma longa discussão pela frente. Quem perder, irá
recorrer e a ação chegará ao STF”. O próprio Supremo ostenta um crucifixo em seu
plenário.

No Brasil, segundo o Censo do ano 2000, 73% da população afirmava ser católica.
Os evangélicos eram 15%. Outros 3,4% diziam seguir outras religiões. O Censo diz
ainda que 7,4% eram “sem religião”, mas não especificou quantos se apresentavam
como ateus (aqueles que não acreditam em Deus). O artigo da Constituição que
estabelece separação entre Estado e igreja é o 19: “É vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos
ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles
ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma
da lei, a colaboração de interesse público”. No preâmbulo da mesma Constituição
está escrito que o ela foi promulgada “sob a proteção de Deus”.
(por Keila Cândido)

[i]

http://colunas.epoca.globo.com/politico/tag/estado-laico/

Onde estou?

Você está navegando em publicações marcadas com são paulo em Ateularia.

%d blogueiros gostam disto: